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Crédito à habitação nas transações de imóveis cai para metade entre 2004 e 2018

Agravamento dos indicadores de decisão tem feito com que muitos portugueses não consigam crédito atualmente, e há 10 anos sim.

Photo by Maria Ziegler on Unsplash
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Autor: Redação

O peso do crédito à habitação no valor das transações de imóveis em Portugal foi de 40,8% em 2018, metade do peso que tinha em 2004 (86%). Regista-se, apesar disso, um crescimento recente do mesmo, se compararmos com os 21,58% verificados no ano de 2013, segundo o estudo “Análise e Evolução do Mercado de Crédito à Habitação”, de Hélder Pereira, da Universidade Portucalense.

O estudo mostra que o valor máximo de crédito concedido atingiu o seu máximo em 2007, nos 19,63 mil milhões de euros, contra o mínimo concedido em 2012, no valor de 1,93 mil milhões. De acordo com o autor, e apesar da descida significativa das taxas praticadas no crédito à habitação, o agravamento dos indicadores de decisão do crédito faria com que muitos portugueses que tiveram acesso ao crédito há 10 anos, não o conseguissem nos dias de hoje.

Apesar da evolução das taxas ter sido positiva, para os detentores de crédito à habitação com a Euribor 12 meses (principal indexante) a descer de um máximo de 4,75% em 2007 para valores negativos de 0,298% em 18 de outubro de 2019, "verifica-se que não é suficiente (não compensa) as restrições que vieram a acontecer para o acesso ao crédito", refere o comunicado.

“Para quem já tem crédito é ótimo, mas depois não conseguem ultrapassar os diversos constrangimentos, ou seja, ajuda na taxa de esforço”, explica Hélder Pereira. Na análise percebe-se também que só quem tem capitais próprios de aproximadamente 15% do valor do investimento pode “sonhar” com habitação própria.

Apesar do empréstimo para a compra de casa ser dos mais procurados pelos portugueses nas últimas décadas, verifica-se também que em anos de crise - entre 2011 e 2015 - o valor do crédito ao consumo foi superior ao valor do crédito à habitação.