Juros pesam 60% nas prestações da casa - o maior valor desde 2009

Em outubro de 2022, os juros representavam apenas 25% das prestações da casa. E em 2021, peso era bem menor, diz INE.
Juros na prestação da casa
Foto de Ron Lach no Pexels

As taxas de juro nos créditos habitação em Portugal galoparam nos últimos dois anos, tendo-se fixado nos 4,433% em outubro. Este cenário fez subir – e muito – as prestações da casa que registaram o custo médio de 392 euros no mês passado, o maior valor de sempre. E 60% da prestação serve precisamente para pagar os juros, constituindo mesmo o maior peso dos juros nas prestações da casa registado desde março de 2009.

Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), publicados na semana passada, revelam que o valor médio da prestação da casa fixou-se em 392 euros em outubro, o que constitui um máximo desde o início da série (janeiro de 2009). O que também salta à vista é que a grande maioria do valor da prestação média da casa assegura o pagamento dos juros, uma realidade que contrasta com a verificada há um ano:

Publicidade
  • Juros: 60% correspondem a pagamento de juros na prestação (cerca de 234 euros). Em outubro de 2022, a componente de juros representava apenas 25% do valor médio da prestação;
  • Capital amortizado: representa 40% da prestação, cerca de 158 euros. Há um ano, era a grande maioria (75%).

Isto quer dizer que a maior fatia da prestação da casa serve, hoje, para pagar os juros no crédito habitação. E assim é desde maio de 2023, quando os juros passaram a representar mais de 50% das prestações da casa. Este cenário é explicado, em parte, porque os créditos habitação de taxa variável continuam a representar a maioria (cerca de 90%) do total de contratos em vigor em Portugal – muito embora os novos contratos sejam contratados sobretudo a taxas mistas. E é precisamente nos empréstimos a taxa variável onde a subida das taxas Euribor – impulsionada pelas restrições da política monetária do Banco Central Europeu (BCE) – mais se reflete por via da subida dos juros.

Há um ano, em outubro de 2022, a realidade era bem diferente, uma vez que os juros representavam apenas 25% da prestação média da casa, que se fixou em 279 euros. Mas, já nesta altura, os juros encontravam-se em sentido ascendente, uma vez que o BCE iniciou o aperto da sua política monetária em julho do ano passado. Já na sua última reunião, realizada em outubro de 2023, o regulador europeu optou por fazer pausa na subida das taxas de juro diretoras.

Se recuarmos até outubro de 2021 – quando as taxas Euribor estavam negativas e a taxa de refinanciamento do BCE em 0% - verificamos que os juros apenas pesavam 16% nas prestações da casa (de 251 euros), o menor peso registado desde o início da série do INE disponível, que remonta a 2009.

De notar que é preciso recuar a março de 2009 para encontrar um peso dos juros sobre as prestações da casa mais elevado que em outubro de 2023: nesta altura a prestação média foi de 329 euros e os juros pesavam 64% neste valor (cerca de 212 euros).

Para poder comentar deves entrar na tua conta

Acompanha toda a informação imobiliária e os relatórios de dados mais atuais nas nossas newsletters diária e semanal. Também podes acompanhar o mercado imobiliário de luxo com a nossa newsletter mensal de luxo.