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O que torna Braga especial? O imobiliário ajudou ao sucesso da cidade que anda nas bocas do mundo

A cidade que tem vindo a conquistar distinções, atraiu nos últimos anos muitos jovens casais e investidores seduzidos pela oferta de habitação, a preços mais acessíveis.

Autor: Elisabete Soares (colaborador do idealista news)

O que é que Braga tem de especial que faz com que, nos últimos anos, tenha sido eleita por vários organismos, nacionais e internacionais, como uma das melhores cidades portuguesas para viver e ser feliz? O idealista/news foi tentar descobrir e tem muito para contar. Para quem trabalha e vive ali são vários os fatores que ajudam a explicar o protagonismo assumido. Mas foi, sobretudo, o imobiliário que ajudou ao desenvolvimento de Braga e contribuiu para que a cidade se projetasse nos mercados internacionais.

A maior oferta de habitação, a preços acessíveis, chamou para a cidade muitas famílias jovens, mas também muitos investidores, sobretudo brasileiros, que compraram imóveis e os transformaram em Alojamento Local, hotéis e outros negócios.

Braga atraiu também, nos últimos anos, várias empresas internacionais que fomentaram o emprego, muito dele qualificado, ligado à investigação e ao ensino superior. Basta referir o papel de instituições como a Universidade do Minho e o Centro de Nanotecnologia, na captação de licenciados, investigadores e novos talentos.

Outro aspeto importante tem a ver com o crescimento do Turismo Religioso, que move tanto os visitantes nacionais como os internacionais. E a proximidade do Porto, que lhe permite beneficiar do seu crescimento a todos os níveis, também ajudou a catapultar Braga para a ribalta.

Estas são as principais razões que explicam o sucesso e a notoriedade da cidade nos mercados internacionais, e que são igualmente reconhecidas pelos seus habitantes. Destacam a qualidade de vida, o emprego, a habitação, a saúde, entre outros, como pontos a favor da cidade.

Joseolgon
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Mais oferta de habitação e a preços acessíveis

O imobiliário é um dos aspetos que reúne o consenso das fontes ouvidas pelo idealista/news e é justiticado, sobretudo, com a maior facilidade de comprar casa e viver na cidade.

A maior oferta de habitação, a preços médios mais acessíveis, é a principal razão apontada para Braga esteja a ser o local eleito por muitos jovens casais, mas também por investidores, sobretudo brasileiros, para viver ou para desenvolver negócios. A opinião é de João Pulido, diretor comercial da Belleville – sociedade de mediação imobiliária, que este ano celebra 25 anos de atividade, e tem uma larga experiência na gestão de património na cidade.

Explicação semelhante é dada por Miguel Caldas, promotor imobiliário da Flex, com vários empreendimentos de moradias nos arredores de Braga. Destaca a grande oferta de habitação gerada na última década e que atraiu um grande número de casais e muitos investidores que optaram por comprar casa, a preços mais baixos que em concelhos vizinhos.

“O mercado residencial de venda em Braga manteve-se estável e resiliente desde 2019. A oferta dos imóveis em comercialização tem aumentado e os preços médios têm subido, embora tenha havido um ajuste residual na procura devido à pandemia. A evolução desde 2019 é bastante positiva", analisa, por sua vez, Inês Campaniço, responsável do idealista/data em Portugal.

Num estudo recente da Deco Proteste, que comparou a qualidade de vida em Portugal nesta fase de pandemia - analisando as 10 maiores cidades lusas -, os habitantes de Braga são os que se encontram, em geral, mais satisfeitos com o local onde vivem, a par dos de Viseu e Leiria.

No estudo, Braga conquista um conjunto significativo no top 3 dos principais indicadores. Assim, a Cidade dos Arcebispos - um dos epítetos porque é conhecida Braga, devido ao facto de ser uma das cidades cristãs mais antigas do mundo -, consegue arrecadar vários primeiros lugares: na Educação; Serviços de Saúde; Emprego e Mercado de Trabalho. Surge em segundo lugar na Habitação; Cultura, Desporto e Lazer e em terceiro lugar na Qualidade de Vida e no Custo de Vida.

Cidade de construtores que apostaram na habitação

Durante a primeira década deste século, Braga foi das cidades portugueses onde a construção residencial teve maior impacto. Há várias explicações para esta realidade, mas a mais importante é o facto de na altura, (como ainda agora), o concelho e a sua região concentrarem um número elevado de empresas construtoras, que na diversificação de atividades apostaram, sobretudo, no mercado de habitação.

Braga foi das cidades onde se concentrou a maior oferta de casas, cujas vendas se reduziram drasticamente durante o período da anterior crise financeira, provocada pelo ‘subprime’, mas que a partir do início da segunda década foram sendo escoadas, a preços mais acessíveis, atraindo na maior parte dos casos uma população mais jovem ligada ao ensino e à investigação, aos novos empregos que surgiam ou para quem se mudava para a cidade à procura de melhores condições de vida.

Gabriele Iuvara
Gabriele Iuvara

Miguel Caldas destaca o facto de que, numa altura em que a habitação disponível já era escassa nas outras cidades da região e apresentava preços elevados, Braga tinha essa oferta, a preços mais acessíveis.

“Em 2008/9 foi visível o aumento de construção residencial em Braga que levou à concentração de muito stock, mas que a partir de 2011 a 2013 foi-se esvaziando”, conta o promotor imobiliário, frisando que os clientes compraram “produtos muito competitivos, a preços mais baixos, e que no decorrer dos anos foram-se valorizando”.

Investimento disparou com os brasileiros

Este facto permitiu também que nos últimos anos a cidade de Braga tenha visto crescer uma forte comunidade de brasileiros, que se instalou e investiu na criação de vários negócios. “São brasileiros com algum poder de compra, de um segmento alto, que fazia os seus investimentos”, conta João Pulido. De seguida, chegou também outro grupo de brasileiros para trabalhar nos serviços e comércio.

Mais recentemente, e apesar do abrandamento provocado pela Covid-19, “as operações de investimento imobiliário continuam a concretizar-se, destaca João Pulido. Embora de forma mais moderada é visível que o interesse mantém-se, através de “de várias cadeias a quererem instalar-se”, bem como para a transformação de “alguns prédios para o arrendamento habitacional”, destaca. 

Com uma forte componente na gestão de património, a Belleville tem uma carteira de mais de 400 imóveis e 300 proprietários, e segundo o responsável, continua ainda a sentir, neste momento, uma grande procura ao nível do arrendamento habitacional.

Na sua opinião, a cidade viveu os últimos anos com os olhos postos no futuro, no investimento, maioritariamente imobiliário. “Muitos destes investimentos foram canalizados para o Alojamento Local, permitindo a renovação e a reabilitação, sobretudo do centro da cidade”.

Bom Jesus de Braga e Semana da Pascoa impulsionam Turismo Religioso

Braga é um dos destinos de eleição no segmento do Turismo Religioso, quer pelas suas celebrações, que têm o seu expoente máximo a Semana Santa, na Páscoa, quer pela importância do seu património edificado. Basta referir que na última realização da Semana Santa – que aconteceu de 14 a 21 de abril de 2019 – Braga recebeu cerca de 100 mil turistas, que permitiram que os hotéis da cidade e das cidades vizinhas, incluindo o Porto, registassem níveis de ocupação superiores aos 80%.

CucombreLibre
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Uma das razões que gerou um grande aumento das visitas a Braga foi o facto de o Santuário do Bom Jesus de Braga ter sido considerado Património Cultural Mundial da Humanidade pela Unesco, em julho de 2019.

E o “Porto fica aqui ao lado”

O crescimento do turismo na cidade de Braga, sobretudo a partir de 2017, deve relacionar-se também com o reconhecimento internacional do Porto - que levou a que todo a região Norte beneficiasse desta situação -, já que os turistas são seduzidos a conhecer as suas principais cidades, com distâncias de carro de cerca de uma hora. É o caso de Braga, Guimarães ou Viana do Castelo.

“O Porto fica aqui ao lado”, refere João Pulido, sobre a sua importância no aumento do turismo e de ter beneficiado também Braga.

E a relação com o Porto vai mais além, havendo atualmente pessoas que vivem e Braga e trabalham na Invicta – devido ao visível o aumento de oportunidades de trabalho, sobretudo para os jovens, sem ser acompanhado com a disponibilidade de alojamentos. A grande facilidade nas ligações viárias e a nível do transporte ferroviário favorecem estes movimentos pendulares.

Procura de moradias é agora a nova realidade

Sobre o atual momento no setor imobiliário, impactado pela pandemia da Covid-29, João Pulido e Miguel Caldas concordam que deixar o apartamento, no centro da cidade, e trocar por uma moradia, no período de confinamento, é um desejo que se sente também na cidade de Braga. Uma procura que se concentrou muito nas periferias da cidade, como é o caso das freguesias de Gualtar – junto da zona universitária – e em zonas como Real ou Palmeira.

Joseolgon
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Outra das tendências foi o aumento da procura de casa para arrendamento por parte de famílias, em alguns casos, “que quiseram separar-se, devido ao confinamento”, destaca João Pulido. Parte desta oferta está a ser conseguida através da transformação de algumas unidade de Alojamento Local, contudo outros são de “investidores que continuam a pensar no futuro”, frisa João Pulido.

Sobre o mercado de arrendamento, Inês Campaniço explica que, tal como no resto do país, "os preços têm vindo a descer ligeiramente devido, principalmente, ao aumento de stock, que foi exponencial desde o inicio da pandemia". Segundo a responsável do idealista/data em Portugal "percebe-se que o mercado de arrendamento estava bastante positivo, com muita procura, antes da pandemia, mas que sofreu um grande impacto desde então.”

Já a promoção de novos projetos, "apesar de manter-se ativa apresenta, neste momento, um compasso de espera”, diz, por seu turno, João Pulido. Mas o responsável mostra-se otimista considerando que a retoma será uma realidade mais rápida que a crise financeira provocada pelo ‘subprime’. Nesta altura, “com os apoios que existem para as empresas, a expetativa é que a crise não chegue”, antecipa.