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Censos 2021: somos menos que há 10 anos e vivemos mais no litoral

Número de residentes em Portugal diminui 2% entre 2011 e 2021, para 10.347.892 pessoas, segundo dados dos Censos divulgados pelo INE.

Censos 2021: somos menos que há 10 anos e vivemos mais no litoral
Gtres
Autor: Redação

Os primeiros dados relativos aos Censos 2021 mostram que, em dez anos, o número de residentes em Portugal diminui 2%, para 10.347.892 pessoas. Ou seja, o país tem menos 214.286 residentes que em 2011. É, de resto, a primeira vez desde 1970 que a população diminuiu entre Censos. Esta é uma das conclusões a retirar dos Resultados Preliminares dos Censos 2021, divulgados esta quarta-feira (28 de julho de 2021) pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

“Na última década Portugal regista um decréscimo populacional de 2% e acentua o padrão de litoralização e concentração da população junto da capital. O Algarve e a Área Metropolitana de Lisboa são as únicas regiões que registam um crescimento da população, sendo o Alentejo aquela que regista o decréscimo mais expressivo”, lê-se no boletim do INE.

Segundo o instituto, à data do momento censitário, dia 19 de abril de 2021, a maioria (52%) dos residentes são do sexo feminino – 5.430.098 contra 48% de homens (4.917.794). 

“O decréscimo populacional registado na última década resultou do saldo natural negativo (-250 066 pessoas, dados provisórios), sendo que o saldo migratório ocorrido, apesar de positivo, não foi suficiente para inverter a quebra populacional”, adianta o instituto, salientando que a população residente em 2021 tem um valor próximo do registado em 2001, ano em que residiam em Portugal 10.356.117 pessoas.

Por regiões, as únicas que registaram um crescimento da população entre 2011 e 2021 foram o Algarve (3,7%) e a Área Metropolitana de Lisboa (1,7%), tendo o Alentejo sido a que registou a quebra mais expressiva (-6,9%), logo seguida da Região Autónoma da Madeira (-6,2%).

Lisboa e Algarve no centro das atenções 

Numa análise por município, constata-se que se acentuou no país, na última década, “o padrão de litoralização”, tendo ganho força “o movimento de concentração da população junto da capital”. 

“A análise por município permite verificar que os territórios localizados no interior do país perdem população, sendo que os municípios que assistiram a um crescimento populacional situam-se predominantemente no litoral, com uma clara concentração em torno da capital do país e na região do Algarve. Nos últimos 10 anos, dos 308 municípios portugueses, 257 registaram decréscimos populacionais e apenas 51 registaram um aumento. Na década anterior tinham-se assistido a quebras populacionais 198 municípios”, revela o INE. 

Metade da população residente em Portugal em abril de 2021 concentrava-se em apenas 31 municípios, localizados sobretudo nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto.

Os dados agora conhecidos permitem ainda concluir que cerca de metade da população residente em Portugal concentrava-se em apenas 31 municípios, localizados sobretudo nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto. 

Em que municípios há mais residentes passados 10 anos?

De acordo com o instituto, Odemira, com 13,3% (mais 3.457 residentes), e Mafra, com 12,8% (mais 9.838 residentes), foram os municípios que registaram os maiores acréscimos populacionais na última década. Palmela, Alcochete e Vila do Bispo, com valores entre 9,6% e 8,8%, completam o top cinco. 

Em sentido inverso encontram-se Barrancos, Tabuaço, Torre do Moncorvo, Nisa e Mesão Frio, que registaram os decréscimos populacionais mais significativos: -21,8%, -20,6%, -20,4%, -20,1% e -19,8%, respetivamente.

“A variação da população residente nos 10 municípios mais populosos do país mostra que Lisboa, Porto, Matosinhos e Oeiras perdem população enquanto os restantes registam crescimentos populacionais, com o município de Braga a registar o valor mais elevado (6,5%/+11.839 residentes)”, conclui o INE.