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20 milhões de euros de imóveis "caçados" pela Justiça a Álvaro Sobrinho

Empresário angolano, ex-presidente do BESA, é suspeito em Portugal de vários crimes económicos (foto do Público)
Empresário angolano, ex-presidente do BESA, é suspeito em Portugal de vários crimes económicos (foto do Público)
Autor: Redação

O empresário angolano e ex-presidente do BES Angola, Álvaro Sobrinho, acaba de ser alvo de uma nova apreensão de bens devido a alegados crimes de abuso de confiança qualificado, burla qualificada e branqueamento de capitais, por parte do Ministério Público. Em causa está o arresto de 22 imóveis, em nome de Sobrinho e de cinco familiares seus, que estão avaliados em cerca de 20 milhões de euros.

As suspeitas sobre Álvaro Sobrinho decorrem de escutas telefónicas com Ricardo Salgado e um general angolano, segundo conta o Observador, dando nota de que esta é quarta apreensão a que o empresário angolano é sujeito, tendo esta última sido determinada a 18 de outubro.

Estes imóveis, localizados em Portugal, terão sido adquiridos pelo clã de Sobrinho com fundos que terão sido desviados de forma alegadamente irregular do BESA que o suspeito geria, aponta o jornal, citando o despacho de apreensão.

BES na origem dos financiamentos ilicitos

E o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) considera ainda que todos estes valores alegadamente cedidos pelo BESA a Sobrinho e à sua família tiveram a mesma origem: os créditos concedidos pelo BES ao BESA em mercado monetário interbancário no valor total de 4,3 mil milhões de dólares (cerca de 4 mil milhões de euros, ao câmbio atual).

Recorde-se que o banco português, que era liderado por Ricardo Salgado, detinha a maioria do capital do banco angolano. Além disso, frisa ainda o Observador, outros acionistas do BESA (generais ‘Kopelipa’ e ‘Dino’) eram titulares de altos cargos políticos em Angola e figuras muito próximas do presidente José Eduardo dos Santos, e o presidente do conselho de administração do banco era, na altura da Assembleia Geral de Outubro de 2013, o ex-primeiro-ministro Paulo Kassoma (igualmente acionista do banco).