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Sócrates acusa Cavaco de mentir e ser "capaz de tudo"

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Autor: Redação

Guerra aberta: Sócrates contra Cavaco. Coincidiram enquanto primeiro-ministro (PS) e presidência da República (PSD) e agora, retirados da vida política ativa, decidiram "lavar a roupa suja" em público. José Sócrates acusa Cavaco de mentir, provocar a crise política de 2011 e ser "capaz de tudo, para tentar defender-se das revelações feitas no primeiro livro de memórias de Cavaco Silva sobre a sua presidência.

Em entrevista à TVI, o ex-primeiro ministro socialista diz que o antigo presidente da República social-democrata preparou uma “conspiração” para atacar os seus adversários políticos e para permitir que o seu partido ganhasse as eleições de 2009 (que o PS veio a ganhar, derrotando o PSD). 

Frisando que “há memórias e há bisbilhotice política”, o ex-primeiro-ministro critica a falta de sentido de Estado do ex-Presidente por ter escrito sobre reuniões em que só estavam presentes duas pessoas, sem testemunhas. Nunca um Presidente da República fez tal coisa.

As escutas

Mas para Sócrates, o principal problema não é revelar as conversas, mas sim deturpá-las. E a acusa Cavaco Silva de faltar à verdade na versão de que deu deste acontecimento em particular. E de “transformar conversas num ataque político traiçoeiro a um adversário político”.

Contrariando a tese publicada pelo ex-Presidente de que o episódio das escutas foi uma “construção tenebrosa da máquina do PS”, José Sócrates diz que há provas de que não foi assim e recorda o mail de um jornalista do Público, divulgado antes das legislativas de 2009, onde era divulgada a fonte da noticia dada em agosto pelo Jornal de que o Presidente suspeitava que estava a ser alvo de escutas, lançando a suspeita sobre o PS e o Governo então liderado por José Sócrates.

Crise de 2011

Na entrevista a Judite de Sousa, resumida pelo Observador, focou ainda o papel do Presidente da República na queda do Governo de Sócrates, em março de 2011, na sequência do chumbo do PEC IV. Confrontado com o testemunho de Cavaco Silva que só dissolveu o Parlamento porque o então primeiro-ministro se demitiu, Sócrates diz que foi o contrário. E acusa Cavaco de ter estado por trás da crise política que levou ao seu afastamento e, pouco tempo depois, à ajuda internacional.

Bava e Granadeiro na Operação Marquês

Se a defesa face às revelações do livro do ex-Presidente é o pretexto para esta entrevista, a segunda do ex-primeiro ministro à TVI depois da sua detenção em novembro de 2014, Sócrates não deixa de comentar o inquérito criminal de que é alvo há dois anos e meio. 

Sobre as novas suspeitas e arguidos que têm surgido recentemente na Operação Marquês e que envolvem o antigo presidente do Banco Espírito Santo (BES), Ricardo Salgado, e os ex-gestores da Portugal Telecom, Zeinal Bava e Henrique Granadeiro?

José Sócrates compara a outras empresas e negócios que foram investigados, como o Grupo Lena, Parque Escolar e Vale do Lobo, para dizer que não têm fundamento. Lembrando que os Zeinal Bava e Granadeiro, que foram constituídos arguidos na Operação Marquês na sexta-feira passada, estavam a ser investigados num inquérito autónomo, relacionado com os investimentos da PT na Rioforte, diz que foram trazidos para encher substância o seu processo.