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Hotéis, residências e coworkings: os salva-vidas do imobiliário em 2017

Autor: Redação

Os grandes investidores internacionais já se mentalizaram que 2017 vai ser complicado para o imobiliário europeu. Esperam um ano marcado por incertezas que vão afetar a economia, a política e a sociedade, e antecipam rentabilidades mais baixas. Os investimentos em hotéis, alojamentos para estudantes e escritórios de serviços partilhados são vistos como os grandes salva-vidas tanto para os negócios imobiliários de promoção como de financiamento. E Lisboa volta a surgir entre as 10 cidades mais atrativas para os investidores internacionais. 

O cenário de abrandamento, depois de anos extraordinários, é traçado pelo estudo "Tendências do Mercado Imobiliário na Europa em 2017", realizado pela PwC em parceria com o Urban Land Institute. "Parece confirmar-se que o setor imobiliário europeu está a assentar. Em 2017 não vamos ver umas rentabilidades tão altas como as registadas entre 2017 e 2016, porque a normalidade instalou-se no mercado e as incertezas vão pesar sobre os investimentos", analisa Antonio Sánchez Recio, parner da PwC.

Os grandes investidores dão por certo que as rendas só vão subir em algumas cidades europeias ao longo deste ano. Segundo o inquérito, apenas 10 das 30 cidades mais atrativas para o investimento imobiliário vão viver uma subida, enquanto duas vão sofrer quedas (Londres e Moscovo) e nas restantes as rendas não vão sofrer alterações.

Lisboa entre as cidades mais atrativas para investir

Mas apesar da cautela que se está a impor no mercado e que não se esperam grandes operações, Rafael Bou, partner responsável de real estate da PwC insiste em que o"o setor imobiliário europeu continua a ser muito atrativo entre os investidores pelas escassas alternativas que há. Não nos podemos esquecer que continua a haver muita liquidez e que produtos como títulos da dívida não estão a atravessar o seu melhor momento".

E Lisboa faz parte da lista das cidades ganhadoras, a par de Madrid e Barcelona, na vizinha Espanha. Mas o ranking é dominado pelas alemãs Berlín e Munique, contando ainda com Frankfurt, Hamburgo, Dublin, Amesterdão e Copenhaga.

Para tentar contornar o desafio das rentabilidades mais austeras, os investidores começam a procurar mais além dos setores comerciais e de escritórios e a orientar o radar os chamados ativos imobiliários alternativos, como podem ser as residências de estudantes ou de terceira idade, os hotéis e os espaços de trabalho partilhados (coworking)

“Esta tendência está mais baseada em critérios de fundo do que numa estratégia de ciclo", segundo aponta o estudo.

E a PwC não é a única consultora que está a detetar o apetite dos investidores por ativos menos tradicionais. A CBRE e a JLL também observam um crescente interesse pelas residências de estudantes, os centros de saúde e de lazer como via para diversificar o portfólio e obter um retorno de investimento superior ao que se pode conseguir com escritórios ou centros comerciais.