Notícias sobre o mercado imobiliário e economia

Projeto para quarteirão da Companhia Aurifícia, na Baixa do Porto, terá "pequenos ajustes"

A antiga fábrica é uma das mais emblemáticas da cidade / Wikimedia commons
A antiga fábrica é uma das mais emblemáticas da cidade / Wikimedia commons
Autor: Elisabete Soares (colaborador do idealista news)

A empresa Telhabel está a ultimar o “masterplan” para o quarteirão da Companhia Aurifícia, na Baixa do Porto, que será apresentado no mês de setembro nos serviços de urbanismo da Câmara Municipal da cidade. O projeto prevê alguns “pequenos ajustes” ao loteamento, de acordo com as declarações de Pedro Couto, presidente da Telhabel, ao idealista/news.

O responsável garante que, no essencial, o plano mantém o que está aprovado pelo PIP – Pedido de Informação Prévia que fez parte do acordo de venda, ressalvando que a preparação do mesmo está a ser feita em estreita colaboração com os serviços de urbanismo da autarquia.

A Companhia Aurifícia foi comprada em meados de 2018, por 10 milhões de euros, pelos irmãos Pedro e Vasco Couto, donos da Telhabel, em conjunto com Gonzalo Alvargonzalez Figaredo e Daniel Klein – dois investidores que protagonizaram outras operações de investimento com a empresa de Famalicão -,  através da sociedade PVBRAGASINVEST, que comprou a totalidade das ações dispersas por várias sociedades e particulares. Uma operação que o idealista/news deu a conhecer na altura, em exclusivo.

Obra nova na Álvares Cabral e residências na rua dos Bragas

O quarteirão da Companhia Aurifícia ocupa 1,6 hectares, entre as ruas dos Bragas e Álvares Cabral, na Baixa da Porto, e é considerado "património excecional" pelo Estado. Quer isto dizer que o projeto imobiliário terá de manter e reabilitar os edifícios industriais da antiga indústria de pregaria, fundada em 1864, da qual a maioria dos portuenses conhece apenas a fachada em tijolo cor de vinho na rua dos Bragas.

De acordo com Pedro Couto, “mantém-se a intenção inicial de construir um projeto de residências assistidas na rua dos Bragas”, através da reconstrução dos “edifícios que apresentam um significativo pé direito”. Na rua Álvares Cabral está prevista construção nova, com a demolição de um edifício que atualmente é utilizado como garagem para estacionamento automóvel.

De acordo com a Unidade Operativa de Planeamento e Gestão (UOPG 9), elaborada pela Câmara do Porto, em março de 2012, no interior do quarteirão a área livre é de 44.000 metros quadrados (m2) e o edificado é de 13.000 m2.

Autarquia não exerceu direito de preferência

A Câmara Municipal do Porto não exerceu o direito de preferência na altura, algo que provocou alguma contestação, especialmente por parte dos partidos que integram a oposição ao atual executivo, presidido por Rui Moreira.

A companhia Aurifícia detinha ainda um segundo ativo que fez parte do acordo de venda. Trata-se de um terreno para construção na Lapa, também na Invicta, com 22.000 m2, que poderá ser transformado num projeto habitacional.

Em setembro do ano passado, a Telhabel foi ainda notícia pelo anúncio de aquisição da antiga fábrica de material elétrico Legrand, em Carcavelos, liderando um consórcio de investidores. Em curso, neste local, está a construção do Alagoa Office & Retail Center, que terá um complexo de escritórios, entre outras valências. O investimento ronda os 50 milhões de euros e pretende criar cerca de 2.500 postos de trabalho.