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Aldeias do Xisto redescobertas com a pandemia: procura e vendas de imóveis sobem nas zonas rurais

Interesse por casas no campo, mesmo que estejam em ruínas para reabilitar, impulsionado pela Covid-19.

Century 21, Tipy Family
Century 21, Tipy Family
Autor: Elisabete Soares (colaborador do idealista news)

A procura de casas para comprar no meio rural subiu nos últimos meses em Portugal, numa reação do mercado aos meses de confinamento provocado pela pandemia da Covid-19. Esta é, de resto, uma realidade bem visível na região das Aldeias do Xisto - um agrupamento de 27 aldeias de 16 concelhos que se situam no centro do país, entre Castelo Branco e Coimbra, entre o Tejo e a Serra da Estrela.

“A procura aumentou bastante e, mesmo durante o período de confinamento, recebi chamadas por parte de pessoas que estavam interessadas em ver casas nestas zonas" diz ao idealista/news Cristina Santos, consultora da Century 21 Tipy Family, que trabalha há vários anos nesta região e, sobretudo, com este tipo de imóveis. “Posso afirmar que 75% dos contactos que recebi no período do Estado de Emergência foi de pessoas que procuravam casas no campo, mesmo que fossem ruínas para reabilitar”, detalha a profissional, dando nota de que “alguns negócios foram mesmo concretizados neste período”.

As Aldeias do Xisto, sendo um território essencialmente constituído por montanhas deste tipo de rochas, é circundado e atravessado por uma boa rede rodoviária, o que permitiu, nos últimos anos, ter uma forte procura por parte de turistas. Agora, com a pandemia, chega uma nova vaga de interesse de gente que quer mesmo ir viver para o interior, além dos que pretendem ter uma segunda residência ou uma opção de investimento.

Century 21, Tipy Family
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Produtos com rentabilidade, mas a preços baixos

Os clientes são, sobretudo, portugueses, muitos deles emigrantes, que querem voltar às suas origens e que procuram casas ou moradias no meio rural.

O interesse não é “apenas e só para investimento”, mas os clientes, ainda assim, querem imóveis que permitam alguma rentabilidade e que apresentem preços baixos”, indica a consultora, aconselhando os proprietários a "avaliar bem o imóvel e pedir um valor correto".

São vários os exemplos de imóveis que foram vendidos nos últimos meses, mas que tiveram que reduzir o preço, bem como outros que ainda se encontram em venda, alguns há mais de um ano, porque os proprietários rejeitam baixar o preço.

Preços devem andar entre “os 60 mil e os 20/15 mil”

Considerando-se “uma filha adotiva da terra”, Cristina Santos evidencia a recente maior apetência, tanto por parte tanto de investidores, como dos proprietários, em recuperar casas, começando, desta forma a “haver mais oferta”.

Os clientes, segundo os dados que partilha, procuram casas completamente remodeladas por preços até aos 60 mil euros, ou casas para recuperar com preços entre os 15 e 20 mil euros. Na sua opinião, estes valores são os indicados para a oferta da região e quando os preços pedidos são superiores a concretização da venda das casas é mais difícil.

A consultora tem, neste momento, duas novas angariações na aldeia de Chãs d'Égua, localizada perto de Foz d'Égua, uma localidade muito pitoresca, situada junto ao ponto de encontro da ribeira de Piódão com a ribeira de Chãs. “Estou a trabalhar estes produtos e ainda não estão no mercado”, partilha, revelando que ambos os casos resultam “de casas velhas localizadas no centro da aldeia que foram deitadas abaixo e feitas de novo”.

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Procura aumentou nas aldeias de Piódão

No concelho de Arganil, está localizada Piódão - conhecida como aldeia presépio e considerada uma das sete maravilhas de Portugal. Atualmente, é uma das zonas onde há muita da oferta, constituída na maior parte dos casos por pequenas casas construídas em xisto e localizadas em várias das aldeias da Serra do Açor.

É o caso de uma casa, colocada à venda pela Century 21 Tipy Family: uma moradia T3, na Aldeia de Foz d'Égua, e que estava anunciada no idealista, como como um “excelente investimento para turismo rural”. Com um valor inicial de 96.150 euros, a casa está “reservada para uma família da terra, que está emigrada”, conta Cristina Santos, detalhando que "o preço foi negociado e sofreu uma redução”.

A casa de estilo tradicional, forrada a xisto, apresenta uma área de 450 metros quadrados (m2) construídos, com 153 m2 úteis, quatro casas de banho e garagem incluída. “Um luxo”, numa zona onde a maioria das casas tem apenas acessos pedonais.

Mas nem todas as vendas se concretizam de forma rápida, por vezes demoram meses, ou mais, a serem vendidas. É o caso de uma outra casa, na Rua Manuel Nunes Pacheco, também em Piodão, um T2, com 50 m2 construídos e uma casa de banho.

Anunciada como uma “encantadora moradia em xisto localizada no centro do Piódão”, que “foi integralmente remodelado em 2015, respeitando os materiais e as técnicas construtivas da região”, apresenta um preço de 68 mil euros. Apesar destas características, a moradia está no mercado há cerca de um ano e, de acordo com a vendedora, “porque o proprietário se recusa a descer o valor”.

Autarquia impõe regras rígidas na recuperação

“Quando eu comecei a ir para a aldeia, há 29 anos, já as casas melhorzinhas tinham mais de 50 anos. Os naturais das aldeias, apesar de não viverem lá, optaram por reabilitar as casas. Isso aconteceu principalmente nos últimos 15 a 20 anos”, conta.

Cristina Santos destaca o facto de a maioria destas casas terem sido “deitadas abaixo, feitas de novo com todas as condições de uma casa, com aquecimento central, lareiras e cozinhas totalmente equipadas”.

Mas, esclarece, nesta altura, o 'boom' de construção nova levou a Câmara de Arganil a impor regras e uma delas é que a casa tem que ter telha de xisto ou ser revestidas a pedra.

Alerta ainda que “nos últimos 6 a 8 anos, começou a haver procura de velhas ‘palheiras’ para reabilitar e transformar em turismo rural já que houve um aumento de procura por parte de turistas”, sobretudo impulsionados pelas campanhas turísticas do ‘Vá para fora cá dentro’.

Century 21, Tipy Family
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Atualmente, são os herdeiros que estão a optar por reabilitar não só para arrendar, mas também para vender já que começou a haver maior procura. Na opinião da consultora, esta é uma situação positiva já que “a maior procura dos últimos temos”, pode assim ser satisfeita.