A antiga fábrica de mármores Marbrito – Indústrias Reunidas de Mármores (Marbrito), localizada em Vila Viçosa, volta a ser colocada em leilão por cerca de quatro milhões de euros, numa nova tentativa de encontrar comprador para um conjunto de ativos onde o Estado surge como principal credor. A empresa, que operou durante mais de 40 anos, foi declarada insolvente em janeiro deste ano, poucos dias antes da morte do presidente do conselho de administração, arrastando uma dívida superior a 3,5 milhões de euros.
A Segurança Social, a Autoridade Tributária e o IAPMEI estão entre os maiores credores, com créditos de 741 mil, 670 mil e 480 mil euros, respetivamente. Segundo o Jornal de Negócios, parte significativa dos imóveis da Marbrito já tinha sido adjudicada ao BCP, enquanto credor hipotecário, no âmbito de processos executivos, sendo o banco também credor no valor de 890 mil euros.
A empresa começou a ser alvo de ações judiciais em plena pandemia, na sequência do incumprimento junto dos credores, e viu a sua atividade suspensa quando o banco tomou posse das instalações. Em 2023, os últimos três trabalhadores rescindiram os contratos, tendo o último funcionário requerido a insolvência, que veio a ser declarada dois meses depois.
O administrador de insolvência, Francisco José Areias Duarte, relata no seu relatório que, apesar das dificuldades, a empresa ainda tentou desenhar um plano de recuperação para retomar a atividade e reestruturar a dívida. No entanto, a perda de acesso às instalações, a impossibilidade de encontrar outro espaço adequado e o impacto da declaração de insolvência na imagem comercial da empresa tornaram essa hipótese inviável. Fornecedores passaram a exigir pagamento a pronto, estrangulando a tesouraria, clientes deixaram de fazer encomendas por receio de incumprimento e potenciais senhorios recusaram arrendar novas instalações a uma empresa insolvente.
Perante este quadro, a estratégia passou a ser a liquidação ordenada dos ativos. O administrador de insolvência avançou com contactos junto do BCP e obteve abertura para uma venda conjunta, em leilão online, dos imóveis adjudicados ao banco e dos bens móveis ainda existentes – maquinaria pesada, inventários e pedras.
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