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Construtor que deu prenda de 8,5 milhões a Salgado foi financiado por Montepio

Ricardo Salgado, ex-presidente do BES, recebeu milhões do empreiteiro José Guilherme / European CEO
Ricardo Salgado, ex-presidente do BES, recebeu milhões do empreiteiro José Guilherme / European CEO
Autor: Redação

José Guilherme, o construtor amigo do antigo presidente do BES Ricardo Salgado, foi financiado a título personal pela Caixa Económica Montepio Geral (CEMG) que lhe emprestou em 8,5 milhões de euros, entre março e abril de 2009, altura em que o banco era liderado por Tomás Correia. Nesse mesmo ano, o empreiteiro deu uma "prenda" do mesmo valor (entre outras verbas) ao banqueiro, por alegadas ajudas em Angola, num caso que está sob investigação.

Ao todo, adianta o Público, entre 2009 e 2014, José Guilherme foi financiado em 28,4 milhões de euros pelo Montepio só com empréstimos pessoais, e a quase totalidade destes créditos estão ainda por liquidar, prejudicando o banco da Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG), a maior mutualista do país que vai a eleições em dezembro.

Durante este período de cinco anos, o Montepio deliberou mais de dez vezes sobre operações de crédito a José Guilherme. Em 2012, a dívida do empreiteiro ascendia já aos 12 milhões de euros. No ano seguinte, a CEMG passou a exposição de José Guilherme para uma empresa de arrendamento imobiliário, a Sintril, uma operação que permitiu continuar a financiar o construtor a título pessoal nos anos seguintes.

Tomás Correia rejeita amizade com José Guilherme, o amigo de Ricardo Salgado

A poucas semanas antes do colapso do BES, em 2014, o banco na altura liderado por Tomás Correia emprestou mais 17 milhões de euros que foram usados parcialmente por José Guilherme para pagar uma dívida de 6,9 milhões de euros da Vergui, uma empresa que recebeu uma mais-valia paga pelo Grupo Espírito Santo num negócio em Angola e que ainda está sob investigação, conta o Público.

Antes de abandonar a liderança do banco, para ficar a liderar os destinos apenas da AMMG, Tomás Correia ainda procedeu a uma reestruturação da dívida de José Guilherme, alargando os prazos de reembolso, numa altura em que as empresas do construtor apresentavam imensas dificuldades.

Em entrevista à SIC, em 2015, Tomás Correia foi perentório quando questionado sobre a eventual amizade com o empreiteiro: “Eu não tenho amizade com José Guilherme. Não há nada disso”.