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'Boom' imobiliário não chega para salvar emprego na construção - menos 14 mil trabalhadores em 2018

Gtres
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Autor: Redação

O imobiliário está em alta em Portugal e a construção de novas habitações atingiu em 2018 o valor mais alto desde 2013. Mas nem isto está a impedir uma crise no setor da construção a nível do emprego. Depois de a indústria ter recuperado 55 mil empregos entre 2015 e 2017, no ano passado voltou a perder mais de 14 mil trabalhadores. Nos anos mais agudos da crise, entre 2009 e 2014, quando a atividade chegou a cair 43%, perderam-se mais de 260 mil trabalhadores.

A emigração de “milhares de trabalhadores”, o desvio de trabalhadores para áreas em grande desenvolvimento, como o turismo, e o aumento da clandestinidade na construção são as razões apontadas pela AICCOPN, a associação empresarial.

Os últimos números divulgados pelo INE mostram que, no ano passado, foram concluídas 15 mil novas casas, um aumento de 16,1% face a 2017, o “melhor registo” desde 2013. E há 55 mil projetos licenciados já em construção ou para arrancar, número “extraordinariamente importante” e que permite antecipar que “2019 será, com certeza, um ano ainda melhor”, diz Reis Campos, presidente da AICCOPN, citado pelo Dinheiro Vivo.

Baixos salários e falta de regulamentação no setor

Mas é urgente “regular o mercado” e arranjar soluções para os 70 a 80 mil trabalhadores que o setor tem em falta para fazer face às necessidades dos próximos anos. Só o Plano Nacional de Investimentos 2030 do Governo prevê investimentos de quase 22 mil milhões de euros em obras estratégicas para a próxima década.

“Só para fazer o aeroporto do Montijo vão ser precisos 10 mil trabalhadores e não os há”, garante Albano Ribeiro, presidente do Sindicato da Construção, citado pela publicação. Em média, saem por dia 100 trabalhadores da construção para trabalhar na Europa, onde ganham duas ou três vezes mais. O que dá qualquer coisa como 26 mil ao ano.

“Se calhar, até peca por defeito. Há muitos trabalhadores sobre os quais não temos controlo. Mas esta realidade vai continuar enquanto por cá lhes pagarem o salário mínimo. Os que ganham 1.200 e 1.300 euros não emigram”, sublinha o sindicalista.