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Lisboa no pós-Covid: mais bicicletas, passeios e esplanadas maiores e ruas só para peões

Autarquia lançou um plano de transformação do espaço público para o período depois do desconfinamento, assente em dois programas, "A Rua é Sua" e o "Lisboa Ciclável".

Assim ficará esta zona da cidade / CML
Assim ficará esta zona da cidade / CML
Autor: Redação

Cerca de 200 quilómetros de ciclovias por toda a cidade em 2021, mais estacionamento e apoios para comprar bicicletas, passeios e esplanadas maiores e até novas ruas só para peões. Lisboa lançou um plano de transformação do espaço público para o período pós-pandemia, assente em dois programas, "A Rua é Sua" e o "Lisboa Ciclável", com alternativas de mobilidade para uma cidade mais limpa e sustentável.

O pacote vasto de medidas foi anunciado pelo presidente da autarquia, Fernando Medina, esta quinta-feira, 4 de junho de 2020, e disponibilizado na página da Câmara Municipal de Lisboa (CML). “Lisboa corre o risco de parar e o ar ficará irrespirável”, alertou o autarca, sublinhando que, e para evitar o reforço do transporte individual, a Câmara vai avançar rapidamente com medidas no âmbito da rede ciclável, aumento do espaço nos passeios, e redução da velocidade em ruas residenciais.

Lisboa no pós-Covid terá novas ciclovias e pavimentos mais amplos para permitir o distanciamento social; mais espaço para caminhar e com passeios confortáveis para diminuir a pressão sob autocarros e carruagens; sendo possível, segundo a CML, aumentar 5 vezes o número viagens de bicicleta e a pé. Como? Através de uma rede ciclável estruturante, cobrindo eixos centrais de circulação e ligando principais polos de trabalho, estudo e residência; ampliando passeios para aumentar segurança nas deslocações pedonais, garantindo distanciamento social e melhorando o acesso ao comércio local; reduzindo velocidade em ruas residenciais, criando zonas de convivência entre carro e peão, aumentando a segurança peões, ciclistas e estudantes.

CML
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“Se os passageiros perdidos pelo transporte público mudarem para o automóvel durante a retoma, Lisboa corre o risco de parar e o ar ficará irrespirável”, lê-se no documento da Câmara Municpal de Lisboa (CML). “Não podemos confinar o país para proteger saúde pública para depois da Covid perdermos mais vidas com o aumento da poluição”, refere ainda.

200 quilómetros de ciclovias até 2021 e mais estacionamento

A criação das 16 novas ciclovias vai dividir-se por três fases, a primeira já até julho deste ano, e faz parte do “Lisboa Ciclável”. A rede, atualmente com 105 km, deverá crescer mais 26 km até ao próximo mês, em locais como: Alameda dos Oceanos, Av. de Pádua, Av. Cidade Luanda, Av. Almirante Reis, Av. da Índia, Av. 24 de Julho, Av. da Liberdade, Av. do Uruguai. Nesta fase, estão já incluídas as pistas já contruídas, na Av. Berlim, Av. Cidade Bissau, Rua Castilho, e Av. Marquês da Fronteira.

CML
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Depois, e até setembro, serão construídos mais 30 km, nas avenidas: Roma, Marechal Gomes da Costa, Ceuta, Lusíada, Berna, Conde Almoster, José Malhoa e Descobertas. Já em 2021, Lisboa terá mais 20 km de ciclovias, na Av. Gago Coutinho, Av. Restelo, Av. Torre de Belém, Av. Álvaro Pais, Av. Carlos Paredes e Av. Helena Vieira da Silva.

Nos parques subterrâneos da EMEL, e concessionados pela CML, o estacionamento fechado para bicicletas vai chegar aos 1.050 lugares. A este aumento, acrescem ainda 1.700 lugares junto aos principais interfaces de transporte público, e 5.000 para estacionamento em todas as entidades de interesse público que o solicitem, como escolas, clubes desportivos e outras instituições. O estacionamento vai ser gratuito.

Apoios para comprar bicicletas

O apoio da autarquia na compra de bicicletas, será organizado em parceria com as lojas de bicicletas de Lisboa, que aderirem ao projeto. O financiamento municipal, até ao limite de 50% do valor de aquisição, será de:

  • Até 100€ para bicicletas convencionais (estudantes);
  • Até 350€ para bicicletas elétricas;
  • Até 500€ para bicicletas de carga.

A Câmara pretende gastar três milhões de euros com os apoios para as compras de bicicletas, um valor que sobre para quatro milhões com o custo das medidas estacionamento fechado e parqueamento bicicletas.

Novas ruas para peões e esplanadas maiores

Fernando Medina apresentou ainda os termos do programa “A Rua é sua”, que pretende apoiar a economia do comércio local através do aumento da área para esplanadas e de zonas de passeio. Ao todo, estão previstas mais de uma centena de intervenções em toda a cidade, tendo sido apresentadas as 20 mais desenvolvidas até à data.

CML
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A Avenida da Igreja, a zona do Mercado de Arroios, a Rua de Belém, o Largo de Sapadores, a Alameda das Linhas de Torres ou a Avenida 5 de Outubro são alguns dos locais onde vai haver intervenções – algumas duradouras, e outras de caráter permanente. A Rua da nova Trindade, ao que tudo indica, por exemplo, será fechada definitivamente à circulação automóvel e a Rua de São Pedro de Alcântara ficará reservada apenas a transportes públicos e a peões.

A CML vai aplicar aquilo que apelidou de “Urbanismo Tático” e que vai passar, entre outras coisas:

  • Por mitigar ilhas de calor criando espaços de sombra;
  • Promover intervenções de arte urbana com intervenções de artistas plásticos efémeras ou permanentes em espaços públicos;
  • Apoiar a economia do comércio local através do aumento da área para esplanadas, se necessário, através da supressão de lugares de estacionamento e/ ou de uma via de trânsito;
  • Desobstruir passeios;
  • Forte alargamento das zonas 30 km/h;
  • Instalação de sinalética para circulação pedonal em segurança; relocalização do mobiliário urbano para garantir a distância social necessária;
  • Colocação de obstáculos (floreiras/pilaretes) para impedir o acesso automóvel.
CML
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