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Ponte entre Porto e Gaia custa 50 milhões – Souto de Moura é um dos 11 júris do concurso internacional

A nova travessia para ligar Porto e Vila Nova de Gaia através de metro deve ficar entre as pontes da Arrábida e Luís I.

Photo by Kelvyn Ornettte Sol Marte on Unsplash
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Autor: Redação

O concurso público internacional para a conceção de uma nova ponte sobre o rio Douro, que permitirá concretizar a chamada “segunda linha” de metro de Vila Nova de Gaia, foi lançado esta terça-feira (16 de março de 2021) no Porto, com a presença do primeiro-ministro António Costa. A nova travessia para ligar o Porto e Vila Nova de Gaia através de metro deve ficar entre as pontes da Arrábida e Luís I e servirá uma nova linha entre a Casa da Música e Santo Ovídeo. Em causa está um projeto cuja estimativa de custo de empreitada ronda os 50 milhões de euros.

A nova ponte vai ter vias para peões e bicicletas, ligando o Campo Alegre, no Porto (entre a Faculdade de Letras e a Faculdade de Arquitetura), à VL8 (junto ao Arrábida Shopping), em Vila Nova de Gaia, escreve a Lusa*, acrescentando que no evento foram também consignadas as empreitadas das linhas Rosa e prolongamento da Amarela do Metro do Porto.

Souto de Moura entre os 11 elementos do júri

O conceituado arquiteto Eduardo Souto de Moura é um 11 elementos do júri do concurso público internacional de conceção da nova ponte, exclusiva para o metro, foi revelado na cerimónia de lançamento do concurso de ideias para o projeto, que decorreu nos Jardins do Palácio de Cristal, no Porto.

O Prémio Pritzker de 2011 vai representar a Câmara Municipal do Porto (CMP) enquanto da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia será o engenheiro Serafim Silva Martins.

Os arquitetos Alves da Costa e Inês Lobo vão representar a Ordem dos Arquitetos e os engenheiros Armando Dias, Rui Calçada e Júlio Appleton a Ordem dos Engenheiros.

O júri será ainda composto por Vítor Silva, Joana Barros, Miguel Osório de Castro e Lúcia Leão Lourenço, da Metro do Porto.

“Investir em mais e melhor transporte público”, diz Costa

António Costa, que falava na cerimónia de lançamento do concurso público internacional de conceção da nova ponte, considerou necessário “começar a construir o amanhã dos portugueses”. “Porque há um amanhã, há um depois da covid-19”, salientou, citado pela Lusa.

Segundo o primeiro-ministro, nesse “amanhã” vai continuar a existir “uma enorme pandemia à escala global” – as alterações climáticas –, que só se “vence ou perde” nas cidades, que concentram “75% dos gases com efeito de estufa”.

“Para ganharmos esse desafio nas cidades é preciso ganharmos esse desafio no transporte público e é por isso que temos metas muito ambiciosas. Até 2030 temos de reduzir em 40% as emissões de gases com efeito de estufa a partir da mobilidade e só há uma forma de o fazermos sem estarmos confinados, que é investir em mais e melhor transporte público”, afirmou, acrescentando que o transporte público “é e será a chave do sucesso deste combate”. 

O primeiro-ministro sublinhou também que projetos e obras como a nova ponte do Douro, plasmados no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), têm “os olhos postos no futuro” e têm “visão estratégica”. 

“Estas duas novas linhas que integramos neste programa (...) são investimentos de futuro mas que vão contribuir desde já para a reanimação da nossa economia e contribuir para a recuperação do desemprego que a Covid-19 também provocou”, referiu António Costa, acrescentando estes projetos são “a prova” de que o PRR “não é feito sem as autarquias locais”. 

Projetos que “precisam de tempo” e “integração”

O ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, que também marcou presença na cerimónia, disse que, apesar da “pressa” com que se pretende que o Plano de Recuperação e Resiliência seja executado, projetos como a nova ponte do Douro “precisam de tempo” e “integração”.

“PRR quer dizer Plano de Recuperação e Resiliência, mas também pode querer dizer pressa. Pressa de fazer, pressa de investir, pressa de apoiar a economia para depressa ultrapassarmos esta crise provocada pela pandemia. Mas há coisas que se fazem com sentido de pressa, mas não se podem fazer depressa”, afirmou o governante, citado pela Lusa.

O ministro, que falava na cerimónia de lançamento do concurso, alertou que, apesar da “pressa” em ver executadas as obras contempladas no PRR, projetos como a nova ponte sobre o rio Douro “precisam de tempo e cuidado de integração”.

“Temos pressa nesta e em todas as obras do PRR, mas uma obra como esta tinha de começar com um concurso de ideias à escala mundial e a escolha do projeto deveria ser feita por um júri de engenheiros e arquitetos (…). Há projetos que precisam de tempo e cuidado de integração”, salientou.

Sobre o concurso de ideias lançado para a nova travessia para ligar o Porto e Vila Nova de Gaia através de metro, o ministro afirmou que “o produto da sua entrega já vai ter um pré-dimensionamento da estrutura que permita avaliar a sua exequibilidade e o seu custo”.

Da ponte já sabemos muita coisa, não deverá ter pilares no rio, a sua quota será ligeiramente mais alta que a da ponte da Arrábida, para não perturbar a vista desta mesma ponte, conhecemos com rigor a integração urbana desta mesma ponte e vai ser para o metro, para as bicicletas e para os peões”, esclareceu, acrescentando que o concurso de ideias vai estar aberto por quatro meses.

Ponte “vai ter um impacto extraordinário” na mobilidade

Rui Moreira, presidente da CMP, disse não estar assustado com a nova ponte sobre o rio Douro, destacando que a mesma vai ter “um impacto extraordinário” na mobilidade das cidades e da Área Metropolitana do Porto (AMP).

“Apesar de todo o impacto que vai ter, acredito que o júri e que os arquitetos vão apresentar propostas que farão desta visão fantástica uma visão ainda mais bonita. Estou morto para ver isso, sinceramente”, afirmou o autarca.

Rui Moreira salientou ainda que a nova ponte não o assusta e que, apesar dos impactos decorrentes das futuras obras, “o impacto final é muito superior”.

“Durante as obras sofrem-se sacrifícios, tem de ser assim. Nós sabemos que as coisas não se fazem do dia para a noite, também compreendemos aqueles que se preocupam porque aqui ou ali vai desaparecer uma árvore ou uma parte de um jardim que conheciam. Não se esqueçam que em cada floresta, de vez em quando, tem de morrer uma árvore para que a floresta continue a viver”, referiu.

*Com Lusa