As estradas portuguesas vão ganhar uma nova vida. Através de uma solução desenvolvida pela dst e pela Universidade do Minho, até cerca de 50% do pavimento retirado das estradas degradadas será transformado em matéria-prima para novos pavimentos com o mesmo desempenho técnico, reabilitando a rede rodoviária nacional e abrindo caminho a um modelo de construção mais circular, eficiente e descarbonizado.
Esta nova solução junta Portugal a países como a Alemanha, França, Espanha e Países Baixos e posiciona o país como exportador da tecnologia para mercados europeus, assim como para mercados lusófonos e emergentes, indica, em comunicado, a empresa de engenharia e construção dst, que integra o dstgroup.
O material fresado passa a ser reutilizado como matéria-prima, diminuindo a necessidade de agregados e ligantes betuminosos de elevado impacto ambiental, ao mesmo tempo que reduz custos de produção e torna os processos construtivos mais eficientes.
Citada na nota, Mafalda Rodrigues, responsável do projeto, explica que, “além da validação laboratorial, foi possível assegurar a sua aplicabilidade em contexto industrial, incluindo fabrico, aplicação e compactação, o que representa um avanço relevante para o setor rodoviário”.
"Trata-se de um contributo concreto para a descarbonização do setor, promovendo simultaneamente eficiência no uso de recursos, inovação tecnológica e alinhamento com as melhores práticas internacionais”
Mafalda Rodrigues, responsável do projeto
Segundo a responsável, “trata-se de um contributo concreto para a descarbonização do setor, promovendo simultaneamente eficiência no uso de recursos, inovação tecnológica e alinhamento com as melhores práticas internacionais”.
Novas formulações foram desenvolvidas para dois tipos de mistura betuminosa, incorporando ambas 50% de material fresado. Trata-se da AC14, aplicada em camadas de desgaste, e da AC20, usada em camadas de ligação e base. Isto representa um avanço técnico relevante, tendo em conta que, em Portugal, a incorporação habitual se situa entre 10% e 30% e ainda está limitada a poucos projetos, devido às reservas de donos de obra e projetistas quanto à utilização destas soluções.
Dispondo de uma capacidade industrial própria e diferenciadora – uma central de reciclagem que transforma misturas betuminosas recuperadas e uma central de produção de misturas betuminosas equipada para incorporar até 50% de material reciclado – a dst suporta, assim, esta nova geração de soluções sustentáveis, validando e aplicando níveis de reciclagem significativamente superiores aos do mercado nacional. A sua infraestrutura assegura o controlo total do processo, desde a reciclagem até à aplicação em obra.
Esta solução foi rigorosamente avaliada laboratorial e industrialmente e as suas condições de fabrico, aplicação em obra e compactação foram igualmente estudadas e validadas, de modo a ser assegurada a sua viabilidade em contexto real de produção e utilização já a partir deste ano.
Foi igualmente desenvolvida a tecnologia WMA (Warm Mix Asphalt – Mistura Betuminosa Temperada), que possibilita a redução das temperaturas de produção e aplicação. Esta abordagem traduz-se numa diminuição do consumo energético e das emissões de gases com efeito de estufa, assumindo-se como uma solução com benefícios simultaneamente ambientais e operacionais.
Desta forma, o projeto afirma-se como um avanço importante para o setor rodoviário nacional, evidenciando a viabilidade de conciliar desempenho técnico, sustentabilidade ambiental e eficiência económica na construção e reabilitação de estradas portuguesas.
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