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Insolvências de empresas em Portugal continuam abaixo do pico de 2013

Autor: Redação

Nos primeiros nove meses de 2015 foram registadas 5.529 insolvências de empresas em Portugal, refletindo uma média mensal de 614 empresas insolventes, revela a Ignios no seu mais recente “Observatório de Insolvências, Novas Constituições e Créditos Vencidos”. Este número mantém-se 6,7% abaixo das 5.928 insolvências registadas em igual período de 2013, que foi, desde 2008, o ano em que este indicador atingiu o seu máximo, com uma média mensal de 659 empresas insolventes.

António Monteiro, CEO da Ignios citado em comunicado, considera que, nesta altura do ano, é “cedo para perceber como se comportará 2015 face a 2014, tendo em conta que o ano passado foi atípico porque influenciado por questões técnicas no registo das insolvências. De qualquer forma, o que devemos reter desde já é que 2015 se mantém em níveis inferiores quer a 2012 quer a 2013, que foram anos em que se atingiram máximos neste indicador, após uma rota de forte crescimento iniciada em 2008”.

Na comparação com os primeiros nove meses de 2014, 2015 observa uma variação de 11% nas insolvências, mas este crescimento é, de certa forma, artificial, tendo em conta que o resultado do acumulado do ano passado foi fortemente influenciado pelo mês de setembro, segundo explica a empresa na nota enviada à imprensa.

Este mês, com apenas 157 empresas insolventes contabilizadas, foi aquele que absorveu o efeito da quebra processual da plataforma do Ministério da Justiça, o CITIUS. A Ignios estima, que sem este efeito, a variação do acumulado de 2015 face ao acumulado de 2014 (janeiro a setembro) seria apenas de 0,9%, ou seja, evidenciando uma estabilização.

Em termos geográficos, apenas cinco distritos registaram uma diminuição homólogas nas insolvências, nomeadamente Porto, Bragança, Castelo Branco, Beja e Faro, com todos os outros a observarem aumento das empresas insolventes entre janeiro e setembro deste ano. Braga, Vila Real, Guarda, Coimbra e Évora registaram mesmo variações homólogas acima dos 20%. Em termos absolutos, os distritos de Lisboa (1.287) e Porto (1.089) continuam a liderar nas insolvências. Completam o top 5 os distritos de Braga (702), Aveiro (422) e Setúbal (361).

Numa análise setorial, os serviços dependentes da procura interna e de consequentes importações continuaram a concentrar a maioria das insolvências e do seu aumento, com destaque para o Comércio por grosso e a retalho, Construção (+5,7% para 978 empresas), Transportes (+ 20,7% para 233 empresas), Restauração (+16,5% para 417 empresas), Comércio de veículos ( +20,8% para 209 empresas) e Outros Serviços (+15% para 1.049 empresas).

Nas constituições, a dinâmica é positiva, com 29.154 empresas criadas entre janeiro e setembro deste ano. Este número evidencia um crescimento de 9,8% face a igual período de 2014, quando foram constituídas 26.554 empresas. A IGNIOS destaca a dinâmica das empresas de Alojamento e, complementarmente, de Restauração, influenciadas pelos sucesso das exportações de serviços turísticos. O aumento dos negócios também influenciou o aumento das constituições no Comércio de Veículos (+21,2%). O Comércio a Retalho ainda lidera com 3.496 constituições (cresceu 4,4%). A Agricultura, Caça e Pesca teve um aumento para 1.516 empresas (+15,5%). Pelo contrário, o Comércio por Grosso continuou a diminuir, com 2.242 constituições (-2,8%). Os cinco distritos que lideram as insolvências lideram também as constituições, nomeadamente Lisboa (8.229 empresas criadas) e Porto (5.476), Braga (2.396), Setúbal (1.763) e Aveiro (1.728).