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Debandada na CGD: presidente e seis administradores demitem-se para não mostrar património

António Domingues, presidente da Caixa, foi o primeiro a bater com a porta.
António Domingues, presidente da Caixa, foi o primeiro a bater com a porta.
Autor: Redação

Com a execução da recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD) em contagem decrescente, a cúpula do banco do Estado está a colapsar. O presidente, António Domingues, apresentou a demissão ontem e esta manhã de segunda-feira ficou a saber-se que outros seis administradores também renunciaram às suas funções, cumprindo assim a ameaça que tinham feito de demitir-se em bloco contra a entrega no Tribunal Constitucional da declaração de património e rendimento.

Menos de três meses de assumir a presidência da Caixa, António Domingues foi o primeiro a bater com a porta. Depois de um duro braço de ferro, o antigo vice-presidente do banco BPI aceitou apresentar a obrigatória declaração de rendimentos e património no Tribunal Constitucional exigida pelo PSD, CDS e BE mas contaria com o apoio do primeiro-ministro e do presidente da República para manter as informações em sigilo.

Sem a "rede·" de António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa, o banqueiro decidiu renunciar à liderança da CGD, tendo tornado-se pública a sua demissão este domingo, 27 de dezembro de 2016. Domingues irá manter-se em funções até ao final do mês de dezembro e o Governo está jà à procura de um subsituto.

O próximo presidente da CGD

O nome de Paulo Macedo, antigo ministro da Saúde do PSD, tem sido falado para o Banco de Portugal, mas também será uma das opções consideradas para a Caixa, a par de Carlos Tavares, ex-presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e Nuno Amado, atual presidente do BCP.

A Comissão Europeia confirma que já tomou conhecimento dos pedidos de demissão e diz que aguarda agora que as autoridades portuguesas apresentem uma nova equipa de gestão para o banco público, algo que o Governo já prometeu fazer o mais rápido possível - na imprensa desta segunda-feira fala-se entre hoje e a a próxima quarta feira, como prazo máximo.

Demissão em bloco como prometido

Esta segunda-feira, a CGD comunicou ao mercado que outros seis administradores da equipa de Domingues. "Apresentaram igualmente a renúncia aos cargos de vogais do Conselho de Administração os Senhores Dr. Emídio José Bebiano e Moura da Costa Pinheiro, Dr. Henrique Cabral de Noronha e Menezes, Dr. Paulo Jorge Gonçalves Pereira Rodrigues da Silva, Dr. Pedro Lopo de Carvalho Norton de Matos, Dr. Angel Corcóstegui Guraya e Dr. Herbert Walter", pode ler-se no documento.

O futuro dos restantes quatro membros da administração da CGD que seguem em funções ainda é incerto, desconhecendo-se se vão ou não seguir o exemplo dos "companheiros". Em causa estão Emílio Rui Vilar, vice-presidente não executivo e os administradores executivos João Paulo Tudela Martins, Pedro Humberto Monteiro Durão Leitão e Tiago Ravara Belo de Oliveira Marques.