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Energie desafia a crise com aposta no mercado residencial

Empresa da Póvoa de Varzim, especializada em painéis solares termodinâmicos e com tecnologia patenteada, conta com condomínios para compensar quebra no turismo.

Imagem genérica, sem o uso da tecnologia da Energie. / Photo by Giorgio Trovato on Unsplash
Imagem genérica, sem o uso da tecnologia da Energie. / Photo by Giorgio Trovato on Unsplash
Autor: Redação

Presente em 50 mercados, com "forte incidência" no centro e norte da Europa, nos Emirados Árabes Unidos e na Austrália e Nova Zelândia, bem como nos EUA, a empresa portuguesa Energie está agora a apostar no mercado residencial, para compensar a crise vivida no setor do turismo. Especializada em painéis solares termodinâmicos e com tecnologia patenteada, estima faturar entre 12 e 13 milhões de euros este ano, depois de ter fechado 2019 com 8,5 milhões (65% dos quais gerados pela exportação), com o negócio a ser penalizado pelo incêndio que, em fevereiro, destruiu parte da fábrica, em Laúndos, e pela pandemia.

Um dos trunfos que a Energie diz ter na manga é o investimento de um milhão de euros em inovação produtiva num produto que promete lançar, em 2021: uma "inovadora" bomba de calor para o mercado da propriedade horizontal. Segundo disse Luís Rocha, CEO da Energie Portugal ao Dinheiro Vivo, este projeto permitirá "alavancar" o crescimento, depois de a pandemia ter reduzido a atividade da empresa, quase em exclusivo, ao segmento residencial em Portugal, mas em crescimento.

Covid-19 e apoios do Estado impulsionam negócio em Portugal

Neste ano, com a Covid-19, o mercado nacional voltou a ganhar força e importância para a empresa. "Foi o que mais cresceu", revela Luís Rocha, argumentando que "com a pandemia, os portugueses ficaram mais por casa e tiveram tempo para pensar nas energias renováveis e no modo de reduzirem a sua fatura mensal da luz". Mas, no entender do gestor, não foi só isso. O consumidor português "está muito sensibilizado" para o tema da redução das emissões e procura formas de diminuir a sua pegada ecológica, indica.

Os incentivos lançados pelo Governo para a reabilitação e melhoria do desempenho energético dos edifícios foram "um excelente balão de oxigénio", e Luís Rocha acredita que os valores alocados a esse objetivo no Fundo Ambiental "vão ser esgotados rapidamente".

Embora só trabalhe o negócio B2B, segundo escreve o meio digital, a Energie conta com uma rede de 150 distribuidores no país. Dos dois milhões de euros que faturou em Portugal, nos primeiros oito meses (mais de 8% face a 2019), o segmento doméstico pesou 85%, mais 10 pontos percentuais do que no período homólogo. O facto de ser uma empresa portuguesa também ajudou. Sobretudo nesta área, onde a competitividade "se tem acentuado", na última década, embora os principais concorrentes continuem a ser asiáticos.