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Esta é a história de Lucky - o ‘cãosultor imobiliário’

Ricardo Faria e o seu amigo de quatro patas conhecem-se há apenas 5 meses e são já uma dupla de consultores imobiliários de sucesso. O idealista/news foi descobrir porquê.

Durante uma visita / DR Ricardo Faria
Durante uma visita / DR Ricardo Faria
Autor: Vanessa Sousa

Pelas ruas de Lisboa há uma dupla de consultores imobiliários improvável: Ricardo Faria, que trabalha na Remax há quatro anos, e Lucky, o seu parceiro de quatro patas. Andam juntos para todo lado, desde visitas a imóveis, a reuniões com clientes, assinaturas de contratos, escrituras, avaliações... Desde há alguns meses, tudo mudou na vida profissional de Ricardo Faria, que assume mesmo que Lucky torna o trabalho “mais alegre, mais informal, mais fácil, mais simples e com melhores resultados”, segundo disse em entrevista por escrito ao idealista/news.

Foi há apenas cinco meses que Lucky apareceu na sua vida e hoje são inseparáveis. Tudo começou quando Ricardo Faria foi passar uns dias ao Algarve. Ao visitar um supermercado isolado numa zona em construção, encontrou um “meiguinho e lindo cão cheio de fome e sede”, conta na mesma entrevista. Não perdeu tempo em comprar comida e água para dar ao animal que “engoliu apressadamente e ficou com os seus olhinhos ternos de quem pede algo”. E voltou a comprar mais comida. Mas quando regressou o cão tinha desaparecido. A correria instalou-se. “Procurei, mas não o vi”, conta Ricardo, que voltou ao supermercado e perguntou a todas as pessoas se o bicho era de alguém. Mas não era. E descobriu que “ele ia ali pedir comida há cerca de um mês e que não tinha dono”, por isso, o consultor imobiliário decidiu dar o seu número de telefone “a uma senhora que alimentava gatos nesse estacionamento e pedi que me ligasse caso o visse um dia”, conta.

Lucky, o 'cãosultor imobilário' / DR Ricardo Faria
Lucky, o 'cãosultor imobilário' / DR Ricardo Faria
A esperança de voltar a encontrar o seu novo amigo de quatro patas vivia dentro dele. “Nesse dia, comprei uma coleira, improvisei uma trela com fitas coloridas que duas floristas me ajudaram a fazer, como se de um ramo de flores se tratasse, e coloquei comida no carro para o dia em que o encontrasse”, conta. Nos três dias seguintes, voltou ao mesmo local a horas diferentes para ver se o encontrava. Mas não havia sinal do animal, até que “na minha última noite no Algarve toca o telefone. Era a tal senhora a dizer que ele estava lá”. Ricardo não perdeu tempo e fez-se à estrada para que “desta vez ele não desaparecesse na escuridão da noite”. E ali o descobriu. “Reconheceu-me de imediato”, afirma. Mesmo assustado, Ricardo conseguiu atraí-lo até ao carro e levou-o para casa, onde encontrou o conforto de um lar. Talvez pela primeira vez.

Foi nessa noite que Lucky – o cão sortudo – “adotou-me completamente”, confessa Ricardo Faria, que rapidamente percebeu que a sua vida não tinha sido fácil até então. Eram várias as "marcas de violência extrema" e o veterinário confirmou a presença de um "chumbo alojado numa pata do animal proveniente de um tiro de arma". Decidido em mudar o rumo da história de Lucky, Ricardo assumiu a responsabilidade de ter “um ser totalmente dependente" de si e, a partir dessa data, passou a “andar sempre com ele para todo o lado”, inclusive na sua atividade profissional. E as reações não podiam ser melhores: “os clientes adoram”, revela, mas ficam “sempre espantados e muito curiosos por eu aparecer com o Lucky”. Na tentativa de os tranquilizar, Ricardo diz “logo que é um cão de rua que não gosta de ficar fechado, que é muito meigo e um explorador curioso e respeitador”.

A dupla numa sessão fotográfica de um imóvel / DR Ricardo Faria
A dupla numa sessão fotográfica de um imóvel / DR Ricardo Faria
E tudo fica mais fácil no trabalho. “De repente, o ambiente fica leve e informal e as pessoas ficam sempre com um sorriso na cara e começam logo a fazer-lhe festinhas. Comentam muitas vezes que é giro ter o cão atrás delas a visitar ou a mostrar a casa. Quando trazem filhos ainda é mais bonito, pois ele tem uma sensibilidade enorme com crianças. O Lucky é um facilitador espontâneo e puro nas relações”, revela o consultor imobiliário que se mudou para Almada há cerca de um ano e que tem trabalhado maioritariamente em Lisboa e em Cascais.

Já foram vários os clientes que convidaram Ricardo para a inauguração das suas casas e o Lucky é um elemento que não pode faltar na festa. “Há dias fui à Ericeira à inauguração de nova casa de um cliente que pediu concretamente para levar o Lucky”, conta. Também “nas reuniões que faço com clientes, em que o Lucky está sempre presente, quase sempre os clientes pedem para levar o Lucky na reunião seguinte. É bonito ver esta aceitação”, salienta.

À janela de uma casa já vendida / DR Ricardo Faria
À janela de uma casa já vendida / DR Ricardo Faria
E se aparecerem clientes com medo de cães? Já aconteceu uma vez, conta. A cliente começou por visitar a casa afastada de Lucky, mas ele “lá se foi aproximando dela durante a nossa conversa”. No decorrer da visita, Ricardo foi se apercebendo que a cliente ficava “mais abstraída” e “mais curiosa com o Lucky”. E, no final, “já lhe fazia festinhas e disse que tinha sido a melhor coisa que lhe tinha acontecido. Saiu contente e motivada”, partilha.

Lucky tornou-se num “verdadeiro cãosultor Imobiliário”, brinca Ricardo, dando ainda nota de que ele é responsável por criar uma “imediata empatia com todos e isso reflete-se na forma como as pessoas me veem e sobre o que pensam de mim”. Diz até que “aumenta a credibilidade, confiança e até segurança”. Isto porque os clientes passam a ver o consultor imobiliário de uma forma diferente, como uma “pessoa normal, com uma vida real, com valores comuns a muitos”.

Durante uma visita: Lucky e os clientes / DR Ricardo Faria
Durante uma visita: Lucky e os clientes / DR Ricardo Faria
A felicidade desta dupla parece contagiar os clientes e “elimina o peso do negócio ou transação”, confessa. Para Ricardo, a presença de Lucky faz as pessoas mostrarem o melhor de si, tornando-as “mais humanas, relaxadas, sendo mais elas próprias, com menos filtros, mais abertas, mais felizes, a sorrirem e com a certeza de que passaram um ótimo momento quando estão connosco e levando uma história curiosa para contarem em casa”. E quanto aos resultados, o consultor imobiliário não tem dúvidas: “ajuda imenso na concretização do negócio”. Prova disso foi a distinção atribuída pela Remax – inserida no Maxgroup Telheiras – em março deste ano: a dupla Ricardo & Lucky conquistou o primeiro lugar em volume de vendas.

Escritura com clientes, proprietários e colega / DR Ricardo Faria
Escritura com clientes, proprietários e colega / DR Ricardo Faria