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Escritórios de Lisboa em tempos de pandemia: ocupação vai continuar a recuar até final do ano

Atividade ocupacional deverá encerrar o ano nos 130.000 m2 segundo a Worx.

Photo by Benjamin Child on Unsplash
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Autor: Redação

O mercado de escritórios de Lisboa marcou o maior volume acumulado de take-up no 1º trimestre de 2020 (cerca de 43.934 m2), desde que há registo, segundo revela um estudo da consultora Worx. Apesar disso, após ter sido decretado o estado de emergência, e com a pandemia a impor restrições e a criar incerteza, as decisões prolongaram-se, registando um decréscimo no número de negócios (-41% face ao período homólogo de 2019) e fechando o volume de absorção semestral com uma variação homóloga negativa de 23% quando comparado ao 1º semestre de 2019.

Pedro Salema Garção, Head of Agency da Worx, adianta que este ano “é previsível assistirmos a uma variação negativa na ordem dos 30p.p. no take-up, registando cerca de 130.000m2 de volume absorvido”. “Em 2021 deveremos assistir a uma variação semelhante, retomando um crescimento médio de aproximadamente 20% ao longo dos próximos três anos”, afirma o responsável.

De 2020 a 2024, segundo o mesmo, a vacancy rate deverá assumir uma tendência crescente, subindo cerca de 7% até ao final de 2020 devido à redução de espaços por parte das empresas na ótica de redução de custos e/ou por optarem pela via do teletrabalho. “A partir de 2021 a vacany rate deverá subir cerca de 9%, estabilizando em 2024, enquanto o take-up seguirá uma recuperação em “Nike swoosh” até 2024”, acrescenta ainda.

A lista de edifícios em pipeline sob construção projeta cerca de 204.900 m2 para 2020/22, dos quais 19.181 m2 (9,4%) já estão concluídos. A somar a esta lista estão os edifícios que ainda não iniciaram construção e que equivalem a um montante de 91.950 m2, o que adicionado ao pipeline em curso perfaz cerca de 309.578 m2.

“Ao longo dos últimos anos temos vindo a assistir a um aumento gradual das rendas prime, suportado pela elevada procura e pela pouca oferta de qualidade de novos edifícios no mercado de escritórios de Lisboa. Contudo, face aos recentes eventos e derivado ao período de confinamento, e devido à falta de ocupações (comparáveis), o 2º trimestre mantém a renda prime nos 24€/m2/mês, uma descida de 1€/m2/mês face ao ano de 2019”, indica ainda a Worx.

Mercado de escritórios na Europa

Ao longo deste semestre, o take-up das praças europeias também foi condicionado pelo período de confinamento e incerteza gerada relativamente à necessidade de espaços por parte das empresas. De acordo com os dados do BNP Paribas Real Estate, parceiro da Worx, as principais praças europeias apresentaram uma variação homóloga negativa, no que diz respeito ao take-up semestral.

Entre as maiores descidas estão as cidades de Roma (com uma variação homóloga de -71,5p.p.), seguida da cidade catalã de Barcelona (-65,6%), Bucareste (-57,6%), Frankfurt (-52,7%), Madrid (-50,5%) e Hamburgo (-50,3%). Por outro lado, entre as menores variações semestrais, destaca-se Amesterdão (com uma t.v.h. de -14,6%), acima de Varsóvia (-15,6%), Berlim (-18,4%), Lisboa (-23,3%) e Munique (-23,8%). O maior volume de absorção aponta mais uma vez para a capital francesa, seguida da capital inglesa que ocupa a segunda posição, mas com volumes de absorção semelhantes a Berlim e Munique.