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Justiça arresta apartamento de luxo vendido por Manuel Damásio a José Veiga

Em causa está um imóvel no empreendimento Atlântico Estoril Residence (Foto: Diário Económico).
Autor: Redação

O Ministério Público (MP) arrestou o apartamento no empreendimento de luxo Atlântico Estoril Residence que o empresário José Veiga comprou, no ano passado, a uma empresa de investimentos imobiliários que tem como sócio o ex-presidente do Benfica Manuel Damásio. A Justiça suspeita que este e outros imóveis não são de Veiga, mas de altos governantes congoleses.

Segundo o Diário Económico, o imóvel rendeu cerca de 3,5 milhões de euros à empresa Ónus, um montante que foi pago pela sociedade Índice Vencedor, registada no Chipre, que tem como beneficiário José Veiga, detido preventivamente no âmbito da operação “Rota do Atlântico”, um inquérito que investiga suspeitas dos crimes de corrupção no comércio internacional, branqueamento de capitais, tráfico de influência, fraude fiscal e participação económica em negócio na compra e venda de ações de uma instituição financeira estrangeira.

A Justiça suspeita que José Veiga serviu de testa de ferro a altos responsáveis do Governo do Congo, a quem alegadamente se destinava o apartamento. Mas há também grandes moradias na Quinta da Marinha ou em Birre, Cascais, que a Unidade de Combate à Corrupção (UNCC) da Polícia Judiciária (PJ) acredita não serem de Veiga, mas de congoleses.

O alvo do arresto foi o apartamento 805 do Atlântico Estoril Residence: um T5 com 405 m2 e seis lugares de estacionamento que custou 3,5 milhões de euros – pagos por uma sociedade que também pertence a Veiga e que tem como administrador único António José dos Santos e Sá. A sociedade em causa é a Ónus, constituída a 24 de abril de 2014, com sede no Porto, e que se dedica à compra e venda de bens imobiliários, contando apenas com um empregado. Os fundos que financiaram esta compra vieram alegadamente de uma conta do Banco Internacional de Cabo Verde em nome de Felamina, offshore que também pertence a Veiga.

O empresário Manuel Damásio foi detido, na semana passada, por indícios de branqueamento de capitais e tráfico de influências, no âmbito da operação “Rota do Atlântico”. Depois de ser ouvido no Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), o antigo presidente ficou sob termo de identidade e residência e proibido de contactar com outros arguidos.

PGR confirma crimes 

Em comunicado, a Procuradoria-Geral da República (PGR) revelou que Damásio está “indiciado por factos suscetíveis de integrarem os crimes de branqueamento e tráfico de influência”, num inquérito em que se investigam “suspeitas da prática de corrupção no comércio internacional e fraude fiscal”.

A 3 de fevereiro, o escritório do ex-presidente do Benfica, em Cascais, foi alvo de buscas, na operação “Rota do Atlântico”, por suspeita de alegadamente branquear verbas obtidas por Veiga nos seus negócios congoleses que estão a ser investigados. Em causa estarão operações alegadamente realizadas através da Ónus, empresa de investimentos imobiliários constituída em 1992 e que junta, como sócios, Manuel Damásio, Godinho Lopes, antigo presidente do Sporting, e o brasileiro Filipe Resnikoff (presidente do conselho de administração). A Ónus tem como marca própria a Atlântico Estoril Residence e é detida a 86,4% pelo Fundo de Investimento Imobiliário Fechado Fundor.

A sociedade gestora de fundos de investimento Fundbox, como base de investimento dirigido para o Estoril Sol Residence, criou o produto Fundor, referido num inquérito do DCIAP à compra de apartamentos no empreendimento Estoril Sol Residence por Álvaro Sobrinho. O empresário angolano já garantiu que não é nem nunca foi subscritor de unidades de participação do dito fundo, escreve a publicação.

Manuel Damásio é o quinto arguido a ser constituído pelo DCIAP, numa investigação que começou no final de 2014 e que já levou à prisão preventiva de José Veiga, e que envolve ainda o seu sócio de negócios no Congo, Paulo Santana Lopes, irmão do ex-primeiro-ministro Pedro Santana Lopes, que se encontra em prisão domiciliária. Foi ainda constituída como arguida uma advogada, Maria Castro Barbosa, que é também dona e administradora de várias empresas de mediação imobiliária, sobretudo na área do imobiliário de luxo. Há ainda um outro arguido cuja identidade não é publicamente conhecida e cinco pessoas coletivas foram também constituídas arguidas.