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Fim do mito de que Portugal é um país de casas próprias: 16 países europeus estão à frente

Autor: Redação

Contra todos os prognósticos, Portugal não está entre os países com maior percentagem de residências em propriedade na União Europeia. A repetida mensagem de que somos um país de compradores parece assim chegar ao fim: de todo o parque imobiliário de habitação, 74,8% são casas próprias, contra os 96,4% que há na Roménia ou os 90,5% na Croácia. Dos 28 países da UE, Portugal está no meio da tabela, situando-se no 17º lugar do ranking de proprietários.

No final do ano passado, a habitação em propriedade em Portugal estava nos 74,8%, em linha com a tendência da última década - desde 2004 tem estado à volta deste valor, com ligeiras oscilações, incluíndo nos anos da crise, segundo dados do Eurostat. Neste período, o arrendamento representou sempre cerca de quarto do mercado imobiliário português (25,2% em 2015).

Também na vizinha Espanha, outro dos países tradicionalmente apontados como um mercados com maior número de proprietários e que sofreu uma forte borbulha imobiliária - que rebentou em 2008 - os dados do Eurostat mostram outro cenário, tendo fechado 2015 com 78,2% de casas em propriedade.

Já na Irlanda, outro país que sentiu na pele os efeitos violentos do crash imobiliário, a taxa de proprietários passou de 77,3% em 2008 para os 68,4% em 2014 (último ano disponível). Ou seja, a mudança de tendências e crescimento do arrendamento foi mais evidente neste mercado, do que na Península Ibérica.

No total da União Euripeia há 16 países que superaram Portugal em número de lares em propriedade própria. O país com mais proprietários é a Roménia com uma taxa de 96,4%, seguido da Croácia, com 90,5%, Lituânica com 89,4% e Eslováquia com 89,3%.

Mercado de arrendamento liderado pela Alemanha

No lado contrário da balança está a Alemanha com 48,1% do parque habitacional destinado ao mercado de arrendamento, logo seguida da Áustria com 44,3% de casas arrendadas. No terceiro lugar do ranking europeu surge a Dinamarca com 37,3 arrendados e depois o Reino Unido com 36,5%.

Segundo o Eurostat, em Portugal a percentagem de casas para arrendar está nos 25,2%, acima dos 24,5% registados em 2006 (ano de pico de compra de casas, antes de rebentar a crise) e abaixo do máximo de 25,8% que se verificou em 2007 e 2013.