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Imobiliário bate recordes este ano e reina o otimismo para 2019

Autores: Leonor Santos, @Frederico Gonçalves, Luis Manzano

O mercado imobiliário está de “boa saúde” e recomenda-se: 2018 está a ser um ano de recordes e 2019 deverá manter uma evolução positiva. Esta é, pelo menos, a opinião das três principais redes imobiliárias em Portugal - Century 21, Remax, e ERA - que estiveram à conversa com o idealista/news no SIL 2018. Não têm dúvidas de que o setor deverá continuar a dar gás à economia, mas pedem maior estabilidade legislativa e fiscal ao Governo, para que “as regras” do jogo não afastem o investimento. Recusam o cenário de bolha, ainda que os preços tenham disparado em flecha.

Para Ricardo Sousa, CEO da Century 21, o ano de 2018 destaca-se pelo aumento de preço nos centros das principais cidades - devido ao investimento estrangeiro e ao turismo - mas também, e sobretudo, nas zonas periféricas. Um cenário motivado pelo comportamento dos portugueses que, por várias razões, estão a procurar soluções fora das grandes cidades.

“Está a criar-se uma nova dinâmica”, diz o responsável, referindo os resultados do I Observatório do Mercado da Habitação em Portugal da Century 21, segundo o qual os portugueses estão a alterar as suas preferências, nomeadamente no que ao tamanho da casa diz respeito.

Ricardo Sousa, CEO da Century 21
Ricardo Sousa, CEO da Century 21

“Estão a escolher casas cada vez mais pequenas para poderem comportar o preço que podem pagar, uma vez que os portugueses têm como ‘budget’ os 500 euros, quer seja no arrendamento, quer no financiamento”, refere Ricardo Sousa. Segundo o CEO da Century 21, esta realidade está a levar as pessoas a “optar por mercados periféricos”, e a criar uma dinâmica que está a colocar pressão sobre os preços praticados nessas zonas.

Bolha imobiliária? Eis a questão

A resposta à pergunta acolhe unanimidade: os três responsáveis rejeitam o cenário de bolha. Para Beatriz Rubio, CEO da Remax Portugal, “há lugares especiais”, como Lisboa ou Porto, onde há preços muito elevados, mas que não representam o estado do imobiliário nacional. Garante que ainda há ofertas nas duas grandes cidades, mas que é preciso “ter muito cuidado quando compramos e fazer bem as contas ao metro quadrado (m2)”. “Há oferta já com preços acima do que se deveria pagar, e esse produto não se deve comprar”, recomenda.

Beatriz Rubio, CEO da Remax Portugal
Beatriz Rubio, CEO da Remax Portugal

Ricardo Sousa acrescenta que houve “uma clara alteração de escala em Portugal”, e que agora a capital e a Invicta já estão a competir num mercado global. O responsável admite que o forte investimento colocou o imobiliário nacional noutra escala, mas que essa alteração de paradigma não significa uma bolha, uma vez que esse investimento é sustentado por capitais próprios e procura externa.

Da mesma opinião é João Pedro Pereira, membro da Comissão Executiva da ERA. Para o responsável o que existe é uma “escassez de oferta”, fruto da crise que atravessou a construção. “Recomeçámos a construir e a reabilitar há dois anos e não é o tempo suficiente para que essas casas cheguem ao mercado”, explica. O gestor acredita que essa situação “vai ser corrigida naturalmente pelo mercado à medida que estas novas habitações começam a aparecer no mercado e vão fazer reduzir a tendência de aumento de preços”.

Regresso à construção nova é a “boa notícia”

A falta de imóveis é, neste momento, o principal problema para quem procura, mas também para quem vende ou arrenda. A obra nova, aquela que será a próxima onda do imobiliário em Portugal, é por isso apontada como solução para travar a escalada de preços. Ricardo Sousa diz mesmo que a construção nova é a “grande boa notícia”, que “era necessária e que a procura já pedia há algum tempo”.

O responsável acrescenta que uma das soluções de mercado passa por uma aposta crescente nos segmentos médio e médio baixo, segmentos onde os portugueses “tanto precisam de soluções de habitação”. Adianta ainda que há cada vez mais investidores a apostar neste segmento, “o que está de facto a criar uma grande dinâmica”.

Também João Pedro Pereira, da ERA, acredita que o ano de 2018 e os próximos se apresentam “como um bom momento para a obra nova, desde que o enquadramento legal e fiscal não sofra alterações radicais”.

João Pedro Pereira, membro da Comissão Executiva da ERA
João Pedro Pereira, membro da Comissão Executiva da ERA

Beatriz Rubio considera que o regresso à obra nova é importante, mas pede maior atenção às questões do arrendamento. Para a responsável “este é um problema que não é de agora”. Defende a criação de leis que incentivem o arrendamento, “não só para as pessoas que não têm acesso à compra de uma casa, mas também aos jovens”. “É impensável que um jovem tenha de comprar uma casa, porque sim”, refere.

Estabilidade legislativa e fiscal é fundamental

Os especialistas concordam que Portugal entrou no mapa dos países que estão na moda e antecipam que o mercado deverá continuar a evoluir positivamente em 2019. Ainda assim, deixam alertas. Pedem ao Governo e ao Parlamento maior estabilidade legislativa e fiscal, uma vez que os investidores são regularmente confrontados com alterações de regras “a meio do jogo”.

O Estado, defendem, deverá também ele ter um papel mais significativo na estabilização da oferta. João Pedro Pereira destaca, aliás, que o Estado “é o maior proprietário imobiliário nas grandes cidades”, tendo, por isso, uma “ferramenta excelente para calibrar a oferta para os diferentes momentos económicos”, que devia utilizar para garantir um crescimento sustentado.