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Imobiliário em 2018 soma recordes: mais vendas, casas mais caras e setor já vale 12% do PIB

Gtres
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Autor: Redação

Comprar casa em Portugal é cada vez mais caro, o que não significa que se vendam menos imóveis, pelo contrário. Os números revelados esta segunda-feira (25 de março de 2019) pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) são esclarecedores: foram vendidos 178.691 imóveis em 2018, mais 25.339 (16,6%) que em 2017. São 490 casas por dia, mais 70 casas do que um ano antes. E as transações totalizaram 24,1 mil milhões de euros, mais 24,4% que no ano anterior (um valor equivalente a 12% do PIB).

“Em 2018, o Índice de Preços da Habitação (IPHab) registou uma variação média anual de 10,3%, mais 1,1% que a registada em 2017. O aumento médio anual dos preços das habitações existentes (11%) em 2018 continuou a superar o das habitações novas (7,5%)”, conclui o INE.

No último trimestre do ano passado, o índice atingiu os 132,34 pontos, o que representa um crescimento de 2% face ao mês anterior e de 9,3% face ao período homólogo. É o valor mais elevado desde que estes dados começaram a ser publicados, no início de 2009.

Segundo o INE, foram vendidas 178.691 habitações no ano passado, o valor mais elevado da série. Só no último trimestre do ano foram vendidas 46.421 casas, um valor recorde.

“Comparativamente com 2017 venderam-se mais 25.399 habitações, correspondendo a um aumento de 16,6% face ao ano anterior. Entre as transações realizadas, 85,2% respeitaram a alojamentos existentes, mais 0,7% que no ano anterior. O crescimento do número de transações de habitações existentes acima do registado nas habitações novas, 17,5% e 11,6%, respetivamente, conduziu ao incremento do peso relativo da primeira categoria mencionada. Este foi o terceiro ano consecutivo em que se reduziu a diferença no ritmo de crescimento do número de transações entre os dois tipos de alojamentos, a qual passou de 26% em 2015 para 5,9% em 2018”, conclui o INE.

De referir, no entanto, que nos últimos três meses do ano passado o aumento da venda de casas abrandou face ao mesmo período de 2017. Ou seja, as 46.421 habitações transacionadas representam um aumento homólogo de 9,4%, o menor desde 2014 - e a primeira vez que foi inferior a dois dígitos. 

No que diz respeito ao valor das vendas, “passou de 9,5 mil milhões de euros (valor equivalente a 5,5% do PIB) em 2014 para 24,1 mil milhões de euros em 2018 (valor equivalente a 12% do PIB), o que traduz um crescimento médio anual de 26%”.

Tendo por base o valor das vendas obtido apenas no último trimestre de 2018, mais de 6,18 mil milhões de euros, verifica-se também uma desaceleração nos aumentos: a subida homóloga de 10,7% foi a mais baixa desde a verificado no final de 2014.

Por regiões, destaque para as transações realizadas na Área Metropolitana de Lisboa (AML) e na região Norte, que representaram 64,6% do total em 2018 – só a AML concentrou quase metade (48%) do valor das transações realizadas em Portugal. 

“A região Norte, com uma quota relativa de 23,5%, atingiu a sua maior percentagem desde 2013 tendo sido, a par do Alentejo (+0,1%), as únicas a apresentar aumentos nos respetivos pesos relativos”, lê-se no site do INE.

APEMIP prevê desaceleração em 2019

Para Luís Lima, presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), “2018 foi um ano positivo que manteve a rota de crescimento do setor imobiliário em Portugal”, perspetivando-se uma desaceleração para 2019. 

“Gostaria que em 2019 se mantivesse este mesmo percurso, mas temo que já no primeiro trimestre do ano possamos denotar algum decréscimo no número de transações, que se prende essencialmente pela ausência de stock imobiliário. Há poucos ativos no mercado, e os que existem não correspondem às necessidades e possibilidades das famílias portuguesas” diz o responsável, em comunicado.

Sobre a eventual existência de uma bolha imobiliária, Luís Lima é perentório: “Para haver uma bolha imobiliária é necessário que estejam reunidas determinadas condições que não estão, de todo. Dificilmente haverá uma bolha. O que há, e o problema com o que nos deparamos é essencialmente este, é um forte desequilíbrio entre a oferta e procura. Há procura, há clientes para todo o tipo de mercado, nacionais e estrangeiros, mas não há casas para vender, e as que há, sobretudo nas grandes cidades, estão a preços acima do que seria desejável”.

A solução passa pela aposta na construção nova, “para aliviar os preços do mercado e dar resposta a quem precisa”. “É preciso que haja uma renovação do stock imobiliário, dirigido para a classe média e média baixa. Não adianta dizer que está a haver construção, quando quem atua no mercado sabe bem que a que há está a ser dirigida essencialmente para um segmento de luxo. Também é necessária, mas a urgência é outra: equilibrar a oferta e a procura”, conclui.