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Comprar ou arrendar casa em Lisboa leva mais de metade dos rendimentos das famílias

Esforço com custo da habitação atinge taxas de 58% para comprar e de 67% para arrendar na capital, segundo estudo da Universidade Nova.

Photo by Jason Briscoe on Unsplash
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Autor: Redação

As regras macroprudenciais internacionais, e que são aplicadas em Portugal, recomendam uma taxa de esforço máxima de 35% para as famílias com a habitação para evitar problemas socio-económicos. Os agregados familiares da Grande Lisboa, no entanto, superam hoje este nível, em termos médios, tanto no arrendamento como na compra de casa. Na cidade de Lisboa, em concreto, a taxa de esforço para compra de uma casa estava no final de 2018 nos 58% e no caso do arrendamento subiu para os 67%.

Olhando para a Área Metropolitana de Lisboa (AML), 11 dos 18 concelhos que a compõem, arrendar uma casa leva metade (46%) do rendimento médio. No caso da aquisição da casa própria essa taxa de esforço é superada, de forma substancial, nos municípios de Oeiras (44%), Cascais (53%) e Lisboa (58%).  

Análise ao mercado da habitação entre início de 2016 e final de 2018

Os dados, divulgados em exclusivo pelo Público, foram apurados pelos investigadores da faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa num estudo sobre as “Tendências recentes de segregação habitacional na área metropolitana de Lisboa”, concluindo "a taxa de esforço no acesso ao mercado de arrendamento na AML é substancialmente superior à taxa de esforço para a aquisição de casa própria em todos os concelhos analisados".

Para calcular a taxa de esforço no mercado de arrendamento, os investigadores cruzaram o rendimento das famílias, apurado pelo INE em 2016 (e atualizado para 2017 e 2018), com as rendas praticadas em cada município e cujo valor é também agora divulgado pelo INE, à escala da freguesia no caso dos concelhos de Lisboa e Porto.

No caso dos cálculos de taxa de esforço para aquisição de casa própria, e segundo indica o diário, João Seixas e Gonçalo Antunes, fixaram, por seu turno, os resultados obtidos no simulador de crédito disponibilizado pela Caixa Geral de Depósitos, usando como referência o pedido de empréstimo de 90% do valor do imóvel, a 30 anos, com a Euribor calculada a 12 meses e spread de 1,5%.

Taxa de esforço para compra subiu em todas as freguesias da capital

Se por um lado as taxas de esforço médias para a aquisição na AML se alteraram relativamente pouco nestes três anos (de 25% para 28%), a evolução mostra ser muito distinta nas principais cidades, notavelmente nos municípios de Lisboa (de uma média de 38% para uma média de 58% para a compra), de Cascais (de 38% para 53%) e de Oeiras (de 29% para 44%). E, afunilando a análise em Lisboa, verifica-se que a taxa de esforço média na aquisição de casa própria subiu em todas as suas 24 freguesias.

De um mínimo de taxa de esforço de 19% registado no Beato, no primeiro trimestre de 2016, passou-se para um mínimo de 34%, na mesma freguesia, no quarto trimestre de 2018. No que respeita aos máximos registados, no primeiro trimestre de 2016 encontrava-se em 72%, no Parque das Nações, que liderava de forma muito destacada, estando agora em 91%, na freguesia de Santo António. No final de 2018, das 24 freguesias da cidade de Lisboa, não havia nenhuma a cumprir o limiar de 35% de taxa de esforço normalmente exigido pelas entidades bancárias. Aliás, 14 dessas 24 têm uma taxa de esforço superior a 50%, tornado assim o acesso ao crédito e à compra de habitação muito difícil para famílias com um rendimento médio.

Linha do Estoril com rendas próximas de Lisboa

A análise, segundo escreve o Público, demonstrou que ao nível dos concelhos, os da chamada linha do Estoril (Oeiras e Cascais) acusam taxas de esforço no mercado de arrendamento semelhantes a Lisboa, e são eles que ajudam a trazer a média da taxa de esforço de toda a AML para os 46%, praticamente metade do rendimento das famílias. Centrando a análise na cidade de Lisboa, conclui-se que a opção pelo mercado de arrendamento é muito difícil para uma família com rendimento acima da média e praticamente impossível para os agregados que auferem entre 75% e 50% do rendimento médio na AML.

Mesmo no caso das famílias que tem 25% a mais de rendimento que a média da AML, é possível verificar que o mais baixo é de 37%, no Beato, e o médio de 54%, o que se "consubstancia num esforço bastante elevado para o acesso à habitação nestes moldes", tal como escreve o Público. Nos casos das famílias com 75% e 50% do rendimento médio, torna-se na prática impossível a opção pelo mercado de arrendamento, com valores que podem ser superiores a 100% do seu orçamento familiar.