Notícias sobre o mercado imobiliário e economia

Três em cada 10 dez imóveis à venda demoram mais de um ano a ser comprados

Preços de venda elevados ajudam a explicar demora. E nunca houve tantas mediadoras imobiliárias em Portugal.

mohamed Hassan/Pixabay
mohamed Hassan/Pixabay
Autor: Redação

Os preços das casas em Portugal dispararam nos últimos tempos, apesar de estarem agora a desacelarar. Um cenário que está a contribuir para aumentar o tempo de espera na venda de apartamentos e moradias, um reflexo dos ‘asking prices’ elevados, e  por vezes desajustados da realidade em que o imóvel se insere. Os números são conclusivos: cerca de 30% dos imóveis demoram mais de um ano a ser vendidos.

Em causa está um estudo da consultora Imovendo, relativo a setembro. Segundo o mesmo, o tempo de divulgação dos imóveis regista, em média, uma espera superior a um ano, para uma percentagem significativa de apartamentos e moradias: 22,5% e 37,5%, respetivamente.

Imovendo
Imovendo

Paralelamente, a entrada de produto novo no mercado é inferior a 15% no caso dos apartamentos e a 8% nas moradias, havendo “um enorme constrangimento do lado da oferta, nomeadamente de produto novo”.

“Há uma enorme escassez de novos imóveis para venda, sendo que os anúncios existentes nos portais não refletem o verdadeiro dinamismo do lado da oferta, na medida em que ‘apenas’ revelam novas angariações de imóveis que, não raras vezes, já se encontravam à venda por outras empresas de mediação imobiliária. Por este motivo, a descompressão dos preços será necessariamente lenta e ocorrerá pelo lado da procura, que não consegue suportar as taxas de esforço inerentes aos ‘asking prices’ que estão a ser pedidos no mercado”, diz Manuel Braga, CEO da imovendo, citado no documento.

Nunca houve tantas imobiliárias

O estudo permite ainda concluir que há mais mil empresas de mediação imobiliária no mercado que há um ano (setembro de 2018). São ao todo 7.112 empresas, mais 14,3% que no período homólogo, um número recorde. 

“Este crescimento exponencial do número de empresas resulta de três grandes fatores: a gradual legalização de profissionais que atuavam enquanto gestores de imóveis, o carácter apelativo que o imobiliário continua a suscitar e a fragmentação e atomização das empresas de mediação imobiliária tradicionais, em entidades cada vez mais pequenas e alavancadas na tecnologia”, conclui a Imovendo, uma mediadora imobiliária online.