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Imobiliário de luxo pode ganhar força em 2020 (mas incerteza é "inimiga" dos investidores)

Em algumas cidades globais os preços devem subir, de acordo com a consultora imobiliária global Knight Frank.

Photo by chuttersnap on Unsplash
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Autor: Redação

O investimento em imóveis de luxo, nos principais mercados mundiais, revelou-se tímido em 2019, dada a incerteza política (e também económica) que domina o panorama global – desde as guerras comerciais até às eleições presidenciais dos EUA que se aproximam, passando pelos impostos aplicados às pessoas com mais património. Os mais ricos decidiram ser mais prudentes e ponderar os investimentos nas cidades globais. Para este ano, o cenário pode ser outro: prevê-se um fortalecimento deste segmento.

Não será de surpreender, por isso, que em 2020 os mais abastados voltem a abrir os cordões à bolsa. Em algumas cidades, os preços devem subir, de acordo com a consultoria imobiliária global Knight Frank, citada pela Bloomberg. Paris (França) lidera, de resto, a previsão da agência para este ano, com um aumento de 7% dos preços de imóveis de luxo, seguida por Miami (EUA) e Berlim (Alemanha).

"A maioria dos mercados ainda verá os preços prime aumentarem, mas com margens menores do que anteriormente", refere Kate Everett-Allen, sócia da Knight Frank.

Nova Iorque a “cair”

Os preços dos imóveis em Nova Iorque (EUA) deverão cair 3% em 2020, sendo que no terceiro trimestre de 2019 recuaram 4,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com a Knight Frank.

Para vender todos os projetos residenciais recém-construídos em Manhattan (Nova Iorque), no atual ritmo de vendas, seriam precisos nove anos. E a incerteza sobre a eleição presidencial manterá, provavelmente, muitos compradores à margem, segundo Jonathan Miller, presidente da avaliadora de imóveis Miller Samuel, ouvida pela agência norte-americana.

O aumento de impostos sobre casas de luxo também pôs travão à procura, algo que fez os investidores “fugir”, escreve a Bloomberg.  

Sem estrangeiros, Vancouver fica “presa”

Em 2020, os vendedores de imóveis mais caros em Vancouver (Canadá) provavelmente ainda sentirão a ressaca da saída de compradores chineses e das medidas fiscais para investidores estrangeiros introduzidas em 2016 com o objetivo de estabilizar os preços. No segmento de luxo, os preços na cidade deverão cair 5% no próximo ano, de acordo com a previsão da Knight Frank.

Ainda assim, e segundo Kevin Skipworth, da Dexter Realty, em Vancouver, esta pode ser uma oportunidade para compradores domésticos, uma vez que o imposto tornou as propriedades de luxo mais baratas para os habitantes locais.

"O governo colocou propriedades à venda para aqueles que não poderiam pagar", referiu, o que significa que o imposto efetivamente tornou as propriedades de luxo mais baratas para os habitantes locais.

Hong Kong: preços vão cair

A agitação política em Hong Kong prejudicou o mercado de luxo, mas ainda é improvável que este “impluda” em 2020, de acordo com a Knight Frank, que projeta uma queda de 2% nos preços de luxo no próximo ano.

Philip White, presidente e diretor executivo da Sotheby's International Realty, disse à Bloomberg que os compradores estão a adiar as compras enquanto esperam para ver o que acontece depois dos protestos. Enquanto isso, procuram oportunidades em outras cidades, como Vancouver, Los Angeles (EUA), São Francisco (EUA) e Londres (Reino Unido).

"Os compradores de imóveis procuram um sistema político estável e não encontram isso agora em Hong Kong", contou.

Miami a renascer?

O mercado de condomínios de luxo de Miami deverá regressar “em força” em 2020, graças à reforma tributária implementada pelo presidente Donald Trump, que limitou as deduções federais para impostos estaduais e municipais, de acordo com a Knight Frank.

A Flórida, por exemplo, que não cobra imposto de rendimentos, está a atrair compradores ricos de estados com elevados impostos, como Nova Iorque e Nova Jersey. A procura destes compradores deve fazer subir os preços de imóveis de luxo de Miami 5% em 2020.