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INE revela subida de preços de casas, mas avisa para efeito do Covid-19

Em 2019, os preços subiram 9,6% e venderam-se 181.478 casas. Mas é de esperar que as tendências analisadas se alterem “substancialmente”.

Photo by Maksym Kaharlytskyi on Unsplash
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Autor: Redação

Em 2019, os preços das casas aumentaram a uma média de 9,6%, segundo os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Ainda assim, e pela primeira vez nos últimos três anos, "registou-se uma desaceleração" de menos 0,7 pontos percentuais (p.p) por comparação ao registo de 2018. O organismo oficial de estatísticas lembra, porém, que os números não refletem ainda a situação provocada pela pandemia Covid-19, sendo de esperar que as tendências analisadas se alterem “substancialmente”. Ainda assim, a informação disponibilizada é útil “para estabelecer uma referência para avaliar desenvolvimentos futuros”.

Segundo o INE, a trajetória de aumento dos preços continuou a ser extensível a ambas as categorias de habitações, tendo sido mais pronunciada nas habitações existentes (10,1%) por comparação com as habitações novas (7,6%). Pelo terceiro ano consecutivo, reduziu-se também a diferença no ritmo de crescimento dos preços das duas categorias de alojamentos – de 2,5 p.p. em 2019, contra 3,5 p.p. em 2018.

Nos últimos três meses do ano, nota o relatório, o crescimento das habitações existentes fixou-se nos 9,8%, o dobro da taxa de variação observada nas habitações novas (4,9%).

Vendas de casas aumentam

No conjunto do ano passado, venderam-se 181.478 casas, um aumento de 1,6% face 2018. Neste período, o valor das transações totalizou 25.583 milhões de euros, mais 6,3% (1,5 mil milhões) comparativamente ao ano anterior. Do valor total, 20,7 mil milhões corresponderam a vendas.

Nos últimos 5 anos, nota ainda o INE, o valor das habitações transacionadas mais do que duplicou (105,1%), e o número de transações cresceu 69,1%.

Nos últimos três meses de 2019 transacionaram-se 49.232 habitações, mais 6,1% comparativamente com o mesmo período do ano anterior. O crescimento do número de transações observou-se em ambas as categorias de habitações tendo sido mais acentuado no caso das novas (6,8%) por comparação com as existentes (5,9%). As habitações transacionadas no último trimestre de 2019 totalizaram 6,9 mil milhões de euros, o que representa um aumento de 12,2% em termos homólogos. Neste período a taxa de variação das habitações existentes foi 12,9%, 3,4 p.p. acima da observada nas habitações novas (9,5%).

Lisboa e Porto concentram transações

Em 2019, a Área Metropolitana de Lisboa e a região Norte concentraram 63% do número total de transações. Ainda assim, e pela primeira vez desde 2013, registou-se uma redução do peso relativo conjunto destas duas regiões. O Centro, com um total de 35.024 transações e o Alentejo com 11.279 habitações vendidas, foram as duas regiões nacionais que mais cresceram em termos de quotas relativas regionais, 1,6 p.p. e 0,3 p.p., respetivamente.

No último ano, o valor das transações realizadas na Área Metropolitana de Lisboa aproximou-se dos 12 mil milhões de euros, 46,6% do total. Este foi o segundo ano consecutivo em que esta região apresentou uma redução do seu peso relativo no total das vendas de habitações, -0,2 p.p. em 2018 e -1,4 p.p. em 2019. O Norte foi a outra região que registou igualmente uma diminuição do seu peso relativo, -0,2 p.p., fixando-se nos 23,4%.