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Mediação imobiliária é nova aposta da Homing: crise no AL foi "uma oportunidade para avançar”

João Boulou Vieira, CEO da Homing, em entrevista ao idealista/news, fala sobre o lançamento do novo segmento de negócio do grupo e dos objetivos para o futuro.

João Boulou Vieira, CEO da Homing / Homing
João Boulou Vieira, CEO da Homing / Homing
Autor: Leonor Santos

A Homing decidiu enfrentar os tempos de incerteza e arriscar num novo segmento de negócio, o da mediação imobiliária. E apesar da diversificação da oferta já estar há muito tempo na mira, o “timming certo” surgiu agora, em plena pandemia da Covid-19, garante João Bolou Vieira, CEO do grupo. A Homing Real Estate nasce, assim, no meio de uma “nova normalidade”, impulsionada, também, pelo abrandamento do turismo e estagnação da atividadade de Alojamento Local (AL) desde sempre ligada ao ADN da empresa. Agora, diz o responsável, o foco está na angariação de imóveis e na criação de um bom portefólio.

Para apresentar a diversificação da sua oferta, a empresa reformulou o 'naming' e reagrupou as três marcas – Homing Real Estate, Short Term Rental, e Facility Care – sob a 'umbrela' Homing Group. João Boulou Vieira explica que o lançamento do novo segmento de negócio, na vertente da mediação, surgiu “organicamente” para atender às necessidades dos clientes, e contará com uma equipa especializada, além de um site próprio.

Numa primeira fase, a Homing Real Estate estará focada na angariação de casas, e irá apostar forte no marketing e tecnologia, algo que, segundo o responsável, é “fundamental num setor em que a concorrência é exponencial”. João Boulou Vieira encara o lançamento da nova marca num contexto de pandemia como uma “oportunidade”, uma vez que “o mercado imobiliário é bastante atrativo”. Acredita, de resto, numa “estabilização” até ao surto estar controlado e que, depois disso, assistiremos a uma “normalização do setor”.

Porquê agora e quais as expectativas para o futuro? A mediação esteve sempre nos planos da empresa? O CEO da Homing respondeu a estas e outras questões numa entrevista escrita que agora reproduzimos na íntegra.

Como é que a Homing se preparou para o lançamento deste novo segmento de negócio?

A Homing já tinha nos seus planos estratégicos de negócio avançar com o segmento do imobiliário em 2020, mas faltava definir o 'timing' e, de certa forma, a pandemia permitiu organizar e definir as metas necessárias. Como já fazíamos consultoria imobiliária, o próximo passo surgiu normalmente.

A mediação imobiliária esteve sempre nos vossos planos?

A gestão de AL continuará a ser o foco da Homing Short Term Rental, mas estamos conscientes que o mercado imobiliário é bastante atrativo e daí optarmos por intervir nesta área através da Homing Real Estate. Em 2019, já havíamos referido que seria uma novidade a concretizar oportunamente e que agora surge na altura certa.

Estamos conscientes que o mercado imobiliário é bastante atrativo e daí optarmos por intervir nesta área através da Homing Real Estate

Este lançamento no mercado acontece num contexto de pandemia. É um entrave ou uma oportunidade?

Consideramos que é uma oportunidade. O abrandamento do turismo permitiu que a empresa sofresse uma reestruturação que permitiu avançar com projetos previamente definidos.

Para que segmento do mercado vai estar orientada a mediadora?

Iremos procurar ter uma vasta gama de imóveis, e é para isso que nos encontramos a trabalhar de momento. Consideramos a criação de um bom portefólio fundamental.

Que modelo de negócio vai ter? Qual o papel da tecnologia e do marketing?

Ao longo dos primeiros três anos de atuação da Homing concentrámos os nossos esforços no crescimento, mas sempre tivemos em conta a importância de criar parcerias com os mais diversos setores que nos permitiram, por exemplo, ter a oferta de experiências personalizadas. Tivemos parcerias internacionais e introduzimos parcerias com serviços personalizados, como serviços extra, tours e experiências. Assim, também no imobiliário queremos avançar com parcerias com agências imobiliárias que atuem em segmentos em que não estamos a atuar.

O contexto digital é extremamente importante, não só por automatizar os processos internos, mas também os processos com o cliente. Daí termos criado o website e a plataforma para a Homing Real Estate. Desde o início da atividade que achamos determinante o papel do marketing na Homing, fundamental num setor em que a concorrência é exponencial sendo como tal necessário criar estratégias de marketing que nos permitam diferenciar e criar valor.

Desde o início da atividade que achamos determinante o papel do marketing na Homing, fundamental num setor em que a concorrência é exponencial

Quantas agências de portas abertas ao público esperam ter dentro de um ano?

A Homing procurou a diferenciação no Short Term Rental pelo facto de ter lojas físicas em Lisboa, Porto e Algarve (Vilamoura). Sempre considerámos relevante a proximidade com o nosso cliente, como sinónimo de confiança e credibilidade e vamos começar com a base destas 3 lojas, até porque consideramos que o mercado está cada vez mais virado para o digital e queremos surpreender nessa vertente.

Estão a contratar?

Sim, estamos à procura da melhor equipa para esta nova vertente de negócio.

Em que zonas do país vai operar?

Em Lisboa, Porto e Algarve.

O lançamento ainda é recente. Já têm tido muitos contactos/interessados?

Estamos numa fase de angariação, mas como temos uma grande base de dados, temos alguns investidores que trabalham connosco no âmbito do AL e que continuam a apostar e a investir em Portugal.

Que diagnóstico faz do mercado atualmente? Quer no segmento de compra e venda, quer no arrendamento...

Vivemos tempos de alguma incerteza e naturalmente a pandemia desestabilizou o mercado. Na nossa experiência no 'short rent', obviamente que tivemos uma paragem, e esperamos que com a abertura de fronteiras a situação volte a normalizar. Para o Real Estate acreditamos que exista uma estabilização até à pandemia estar controlada, depois disso a normalização do setor.

Para o Real Estate acreditamos que exista uma estabilização até à pandemia estar controlada, depois disso a normalização do setor

Como vê a recuperação do mercado imobiliário em Portugal?

Relativamente ao imobiliário esperamos que se ajuste com alguma descida, mas que se mantenha.

E os preços? Como espera que evoluam?

Consideramos que, devido à pandemia, os preços sofreram uma redução, mas se não existir uma segunda vaga a nível nacional e mundial prevemos que até ao final do ano os valores normalizem. Considero que existem duas formas seguras de investimento: investir em ouro e no imobiliário.

Como é que a Homing geriu todo o negócio em tempos de confinamento? Por exemplo, o serviço de Facility Care...

Tivémos de interromper temporariamente a atividade e colocar parte dos colaborares em lay-off mantendo um pequeno núcleo a operar para dar assistência no check in e check out. Depois adaptámos o serviço de Facility Care às necessidades de higienização e segurança que as normas pós-Covid-19 impõem a todos os estabelecimentos turísticos e, por isso, já dispunhamos de uma equipa especializada que fez a formação exigida pelo Turismo de Portugal do qual somos membros.

Aproveitámos a paragem temporária da atividade de 'short term rental' para avançar com o plano de lançamento do imobiliário e de tratar dos trâmites legais e burocráticos necessários tendo em conta o enquadramento legal e fiscal que é necessário para o setor específico do imobiliário e prestar este serviço especializado ao proprietário. Aproveitámos o abrandamento do AL como uma oportunidade para avançar no 'timing certo' com a diversificação da oferta de serviços e segmentos de negócio.