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Fotografia, a aliada da arquitetura e do imobiliário: imagens dão vida e visibilidade aos projetos

Expressar o melhor das obras e de cada projeto. Alexander Bogorodskiy, fotógrafo internacional de arquitetura e interiores, fala sobre a sua importância ao idealista/news.

Alexander Bogorodskiy, fotógrafo de arquitetura e interiores
Alexander Bogorodskiy, fotógrafo de arquitetura e interiores
Autores: Leonor Santos, Tânia Ferreira

É um “profundo” admirador do trabalho dos arquitetos e designers, “responsáveis por projetar os espaços em que vivemos” e decidiu assumir como “missão” documentar as suas criações. Diz que ser fotógrafo de arquitetura e interiores é um privilégio, mas também um desafio, e o seu grande objetivo é fazer com que um bom design seja visto e apreciado por um público maior. Alexander Bogorodskiy, nascido e criado na Rússia, vive em Portugal desde 2015, e acredita que o propósito da fotografia de arquitetura não consiste apenas em documentar a criação do arquiteto, mas também em mostrar a escala, o significado e a estética de cada projeto. Até porque, o “futuro trabalho do arquiteto também depende muito das imagens, porque muitas vezes é a única maneira de vender a sua marca”, tal como diz em entrevista ao idealista/news.

A forma como descobriu a sua paixão por documentar em imagens projetos imobiliários, de design e arquitetónicos foi tudo menos convencional. Quando chegou a Portugal - e muito antes de "aterrar" na cidade do Porto, onde escolheu viver -, Alexander passou pelo Algarve. Foi lá que arranjou o primeiro emprego, numa boutique imobiliária. Sem experiência e vocação para a venda de imóveis, rapidamente percebeu que conseguia aportar valor à empresa através da fotografia das propriedades. E foi assim, a par e passo e motivado pelo seu chefe na imobiliária algarvia, que descobriu o seu caminho e começou a carreira internacional de fotógrafo de arquitetura e interiores, que pode ser acompanhada na página Photoshoot.pt.

Atualmente, da sua carteira de clientes fazem parte gabinetes premiados e consagrados, mas trabalha também com pequenos ateliers, arquitetos individuais, bem como com empresas imobiliárias e de turismo, meios de comunicação, dentro e fora de Portugal, com prestígio na área. O grande desafio, partilha, é ter a responsabilidade de capturar os trabalhos de forma “honesta e precisa”, frisando que as fotos que se tiram podem muitas vezes ser “as únicas através das quais 99% das pessoas conhecerão o projeto”. A imagem, neste caso, vale mesmo mais que mil palavras.

Adora espaços minimalistas com materiais ricos em texturas e no seu portefólio conta já com uma longa lista de projetos, desde apartamentos, moradias, hotéis, escritórios, e até uma igreja. Nesta entrevista escrita para o idealista/news, o fotógrafo internacional de arquitetura e interiores fala sobre o seu percurso, o que é que tanto o apaixona no mundo da fotografia nesta área, e o porquê de a fotografia ser uma verdadeira aliada da arquitetura.

Divino Salvador Church/ Vitor Leal Barros /  Foto: Alexander Bogorodskiy
Divino Salvador Church/ Vitor Leal Barros / Foto: Alexander Bogorodskiy

Nascido e criado na Rússia, está atualmente radicado na cidade do Porto. Como descobriu Portugal e porque escolheu o Porto? É um bom lugar para viver?

Vivo em Portugal desde 2015. Foi graças à minha família que descobri este país fantástico. Procuravam um local para morar na Europa e acabaram por escolher Portugal. Quando me formei na universidade juntei-me à minha família no Algarve e alguns anos depois mudei-me para o Porto. Foi a melhor decisão que tomei. Quando visitei esta cidade pela primeira vez senti uma conexão instantânea. Adorei a vibração, as pessoas e o facto da cidade estar a desenvolver-se rapidamente e a tornar-se num hub internacional. Neste momento não consigo pensar em nenhum lugar melhor para viver.

O Porto oferece o melhor da vida numa cidade grande, sem estar sobrecarregada com multidões, trânsito, poluição, etc. É um local onde é muito fácil viver. Podes chegar a qualquer sítio em 10-15 minutos. Tens oceano à tua esquerda e o vale do Douro à tua direita. É uma combinação muito pouco habitual.

Lemos que o seu primeiro emprego em Portugal foi numa boutique imobiliária numa zona muito “chique” do Algarve - quando começou, tinha zero experiência na venda de imóveis, como disse. Pode contar-nos mais detalhes sobre essa experiência?

Exatamente. A minha primeira experiência profissional em Portugal foi na área imobiliária. Devo muito a esse trabalho. Tive a sorte de ter um chefe que confiou nas minhas habilidades e me deu liberdade para trabalhar por conta própria. No geral, foi uma experiência muito positiva, cheia de erros e aprendizagens. Mas também fez-me perceber duas coisas: que os empregos corporativos não são para mim e que o Algarve não era o meu destino final. O estilo de vida no Algarve era demasiado lento para mim. Às vezes, passávamos semanas ou meses sem ver um único cliente. Sou naturalmente uma pessoa muito ativa e motivada, e por isso lidar com as épocas baixas foi difícil. Por outro lado, se não fossem esses tempos calmos, provavelmente não descobriria o que faço hoje - fotografia de arquitetura.

Casa Luum / Pedro Domingos Arquitectos /  Foto: Alexander Bogorodskiy
Casa Luum / Pedro Domingos Arquitectos / Foto: Alexander Bogorodskiy

Mais tarde, o seu foco mudou para a fotografia puramente arquitetónica. Quando é que percebeu que queria fotografar casas e edifícios “bonitos” e bem projetados?

Foi na imobiliária que percebi que poderia ajudar a empresa, combinando os meus interesses – casas bonitas e fotografia. A nossa agência, na altura, não contratou fotógrafos profissionais para fotografar as propriedades, então decidi pegar na minha máquina e aprender sozinho. Eu estava a aprender em movimento - tínhamos muitas propriedades com imagens muito más, então havia muito por onde praticar. Após alguns meses neste novo desafio percebi que poderia tentar viver dessas habilidades. E esse foi o início da minha carreira.

Por é que gosta tanto da fotografia de arquitetura? Qual é o seu propósito?

O meu propósito vem de uma profunda admiração que tenho pelo trabalho de arquitetos e designers. As pessoas nesta profissão são responsáveis ​​por criar os espaços em que vivemos. Eles projetam as nossas casas, as cidades, a paisagem urbana. Tudo, até mesmo a cadeira em que estás sentado foi projetada por alguém. E se esse designer fizer um bom trabalho, a tua vida torna-se mais fácil e produtiva. Acho que a sociedade não dá crédito suficiente a essas pessoas. Por isso, assumi a missão de documentar as suas criações - e com isso trago o merecido reconhecimento ao trabalho do designer/arquiteto.

Diz que ser fotógrafo de arquitetura e interiores é um privilégio, mas também uma grande responsabilidade. Por quê? Qual é o grande desafio?

Considero um privilégio porque temos a oportunidade de testemunhar o que muito poucas pessoas conseguem ver - projetos inspiradores e ideias inovadoras. É uma grande responsabilidade porque a pessoa que encomenda o nosso trabalho - o arquiteto - está a entregar-nos o seu precioso projeto para documentação. A responsabilidade sobre os nossos ombros está em capturar o seu trabalho de maneira honesta e precisa. As fotos que tirarmos serão as únicas através das quais 99% das pessoas conhecerão o projeto.

Casa RM/ Pedro Miguel Santos /  Foto: Alexander Bogorodskiy
Casa RM/ Pedro Miguel Santos / Foto: Alexander Bogorodskiy

Os fotógrafos de arquitetura são responsáveis ​​por criar imagens de portfólio para o arquiteto. E o futuro trabalho do arquiteto também depende muito das imagens, porque muitas vezes é a única maneira de vender a sua marca.

Que tipo de clientes tem em Portugal? Trabalha apenas no Porto ou em todo o país? E no estrangeiro?

Os meus clientes variam de arquitetos individuais a grandes ateliers. Estou disponível para trabalhos em Portugal e no estrangeiro.

Que tipo de projetos prefere? Casas? Escritórios?

Não tenho preferência por nenhum tipo de projetos. Mas adoro fotografar espaços minimalistas que apresentam materiais ricos em textura, como madeira ou cimento. Esses são meus favoritos.

Corpo Santo 6/ Samuel Torres de Carvalho /  Foto: Alexander Bogorodskiy
Corpo Santo 6/ Samuel Torres de Carvalho / Foto: Alexander Bogorodskiy

Há algum projeto especial que gostasse de destacar?

Um dos projetos mais interessantes que tive oportunidade de fotografar foi na ilha de São Miguel. O meu cliente era um empresário de Paris que tinha comprado recentemente um imóvel para arrendar e precisava das fotos para promover a casa. Trabalhei neste projeto com o meu colega que me ajudou com a produção de vídeo.

Ficámos na casa durante dias e assim que terminámos o trabalho alugámos um carro e fomos explorar a ilha. Foi uma experiência incrível! Combinar trabalho e viagens é uma das melhores coisas que esta carreira pode oferecer. Ansioso por mais projetos como este.

DC One /STC Arquitetura /Nuno Montenegro /  Foto: Alexander Bogorodskiy
DC One /STC Arquitetura /Nuno Montenegro / Foto: Alexander Bogorodskiy
Aparthotel Anselmo/ Arquitetos Aliados + Susana Leite /  Foto: Alexander Bogorodskiy
Aparthotel Anselmo/ Arquitetos Aliados + Susana Leite / Foto: Alexander Bogorodskiy