Grândola enfrenta uma pressão crescente no acesso à habitação, um problema que pode colocar em risco o futuro de projetos económicos no concelho. Luís Vital Alexandre, presidente da Câmara Municipal de Grândola, alerta que a escassez de casas para trabalhadores, sobretudo nos setores do turismo e da construção, ameaça a sustentabilidade do investimento. “Se os investidores, os promotores turísticos e outros não tiverem habitação para satisfazer as suas próprias necessidades, estes investimentos podem sucumbir”, afirma o autarca.
Em declarações ao Jornal de Negócios, no âmbito do podcast Urbanidades, Luís Vital Alexandre sublinha que o município, por si só, não consegue dar resposta à dimensão do problema habitacional. O concelho, que tem estado sob os holofotes pela construção de empreendimentos de luxo ao longo de quase 50 quilómetros de costa, vive uma realidade paradoxal: “Faltam casas para os habitantes locais” e também para quem chega para trabalhar. Citado pela publicação, refere que esta carência tem levado a soluções provisórias, como “quase aldeias de contentores, em vários pontos do concelho”.
Para enfrentar este cenário, o presidente da autarquia aponta, na mesma entrevista, vários instrumentos que podem ser mobilizados, desde os “contratos de investimento para arrendamento” ao reforço do setor cooperativo. Luís Vital Alexandre admite ainda recorrer à conversão de solos rústicos em urbanos, ao abrigo das recentes alterações legislativas, para cumprir a meta assumida em campanha de construir 300 habitações para arrendamento acessível.
No plano do turismo, o autarca explica que as alterações ao Plano Diretor Municipal (PDM), introduzidas em 2024, travaram novos projetos na faixa litoral, considerada uma “zona de elevada pressão turística”. Os empreendimentos já em curso avançam por estarem previamente aprovados, mas as futuras camas turísticas deverão ser canalizadas para o interior.
Ainda assim, Luís Vital Alexandre garante abertura ao investimento: “Para já o turismo é bem-vindo, os investidores são bem-vindos”, diz, defendendo uma abordagem integrada que tenha em conta também os limites ambientais e os recursos disponíveis, como a água.
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