Os grandes volumes fascinam os arquitetos há décadas pela capacidade de desafiar a gravidade e de empurrar os limites do espaço construído. A arquitetura pós-moderna encontrou nestas estruturas uma marca identitária e levou ao extremo os grandes volumes suspensos.
Embora muitas vezes sejam incluídas nos edifícios por uma questão de desenho e impacto, outras vezes servem para maximizar a superfície útil em contextos urbanos densos, onde cada metro quadrado conta.
Foi precisamente este o princípio que guiou o projeto do edifício 545 Metropolitan, em Williamsburg, Brooklyn. Ali, o bloco de habitação transforma as limitações do terreno numa oportunidade, dando origem a uma proposta audaciosa que parece flutuar sobre os seus vizinhos.
Um volume que cresce
Situado na animada Metropolitan Avenue, em frente à estação de metro de Lorimer L, o 545 Metropolitan combina usos residenciais e comerciais em seis pisos. Na base ficam os espaços comerciais, enquanto os pisos superiores acolhem as habitações e áreas exteriores, como terraços nas traseiras e na cobertura.
O que torna este projeto único é a sua forma: uma estrutura que se estreita na base e se expande em altura através de um volume em consola que se prolonga lateralmente. A decisão responde diretamente às restrições do terreno, que obrigaram a equipa a repensar a forma de distribuir a edificabilidade disponível.
O atelier Commoncraft explica-o assim: “A parcela original integrava dois edifícios existentes: uma estrutura de três pisos que seria mantida e um edifício de um único piso que seria ampliado para dar lugar ao novo projeto de seis pisos. Consequentemente, o índice de ocupação do solo remanescente da parcela tinha de ser acomodado dentro da envolvente do nosso projeto”.
Para resolver a equação, a equipa optou por deslocar parte do volume para cima e para o lado, gerando uma consola que permitiu recuperar área útil sem ocupar mais chão.
Nas palavras do atelier, “abandonámos alguns dos estudos de desenho anteriores a favor de uma estratégia que recuperava superfície útil através de uma consola que se estendia por cima do edifício adjacente na mesma parcela, uma solução apenas possível graças às condições singulares deste terreno”.
Fachada monolítica
Apesar da complexidade volumétrica, o edifício foi construído com métodos convencionais, em grande medida coerentes com os habituais para uma construção desta escala e tipologia, o que prova que uma ideia arquitetónica forte nem sempre exige soluções construtivas extraordinárias.
O revestimento exterior, em estuque preto com partículas de mica, confere um brilho subtil que se altera com a luz e reforça a ideia de um volume monolítico. A fachada organiza-se numa retícula de janelas verticais e estreitas, interrompida por um elemento singular: uma janela em forma de arco invertido que introduz um gesto inesperado.
O projeto também responde ao contexto imediato, sobretudo devido à proximidade das infraestruturas de transporte. Por estar junto à estação de comboios da MTA de Lorimer, o local exigiu que “tanto os processos de aprovação como os trabalhos de construção fossem coordenados de perto com as exigências da Autoridade de Trânsito, especialmente no que toca aos trabalhos de fundação”, explica o atelier.
Para suavizar a contundência do volume, os arquitetos introduziram cantos arredondados e pequenos detalhes que conferem carácter, como uma escada pintada de laranja visível do exterior. “Em paralelo aos estudos volumétricos, começámos a estudar de que forma a retícula da fachada podia ser específica do contexto e, ao mesmo tempo, alcançar um equilíbrio com a forma singular”, afirma o atelier.
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