Tomar: projeto turístico criticado pela Quercus ainda sem licenciamento

Em causa está um alegado empreendimento turístico de luxo nas margens da Albufeira de Castelo de Bode sem avaliação de impacte ambiental (AIA).
Tomar
CC BY SA 2.0 by Vitor Oliveira
Lusa
Lusa

A Câmara Municipal de Tomar afirmou que ainda não tem em licenciamento qualquer projeto turístico designado "Amara Village", esclarecendo que o único ato administrativo para a área foi até agora um alvará de loteamento e obras de urbanização.

A resposta da autarquia surge na sequência de um comunicado enviado à Lusa pela associação ambientalista Quercus, que classificou como "escandaloso" o avanço de um alegado empreendimento turístico de luxo nas margens da Albufeira de Castelo de Bode sem avaliação de impacte ambiental (AIA).

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Segundo a Quercus, o projeto "Amara Village" prevê a ocupação de uma área de cerca de 50 hectares junto à albufeira, responsável pelo abastecimento de água a cerca de três milhões de pessoas na região da Grande Lisboa.

Segundo a associação, o empreendimento contempla 193 propriedades, entre apartamentos e moradias, bem como várias infraestruturas de apoio, incluindo uma estação de tratamento de águas residuais (ETAR), acessos viários e um cais para embarcações.

A Quercus sustenta que a legislação obriga à realização de uma AIA para aldeamentos turísticos com área igual ou superior a 10 hectares, pelo que considera incompreensível que o projeto avance sem esse procedimento, tratando-se de uma intervenção prevista para uma área cinco vezes superior ao limiar legal.

Em resposta à Lusa, a Câmara de Tomar esclareceu que não existe nos seus serviços qualquer processo de licenciamento com a designação "Amara Village", indicando que o que existe é o Plano de Pormenor da Área Turística de Vila Nova Serra, aprovado em 2011.

De acordo com a autarquia, foi emitido em 02 de junho um alvará de loteamento com obras de urbanização relativo a uma das unidades previstas naquele plano, denominada N1.

A licença permite apenas a divisão dos terrenos em lotes e a realização de obras de urbanização, como arruamentos e infraestruturas de apoio, adiantou.

Segundo a Câmara, os terrenos abrangidos têm uma área total de cerca de 50 hectares, embora a área dos lotes corresponda a 8,9 hectares e a implantação prevista para edifícios ocupe cerca de dois hectares.

A autarquia sublinhou ainda que os edifícios associados ao futuro empreendimento turístico "ainda não foram apresentados para licenciamento" municipal.

Questionada sobre o eventual arranque da operação, a Câmara sublinhou que a licença atualmente emitida respeita apenas às obras de urbanização e à constituição dos lotes, estando previsto um prazo de 24 meses para a sua execução.

Relativamente às críticas da Quercus sobre os impactos ambientais do projeto, a autarquia sustentou que o Plano de Pormenor da Área Turística de Vila Nova Serra foi aprovado pelas entidades competentes e dispõe de declaração ambiental publicada, considerando que a componente ambiental está salvaguardada.

A Câmara acrescentou que continua a articular-se com as entidades com responsabilidades na área do ambiente para assegurar o cumprimento da legislação aplicável.

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