Assim era a “Cidade das Trevas” de Kowloon: a colmeia humana de Hong Kong

A cidade amuralhada de Kowloon
Em Hong Kong até 1994 Wikimedia Commons

Até 1994, em Hong Kong, havia uma cidade que parecia algo saída de um filme de ficção científica. Era conhecida como a cidade amuralhada de Kowloon. Não havia lei, além da que era imposta pelos seus habitantes, e tinha uma densidade populacional 120 vezes maior que a de Nova Iorque, o que a tornava na mais populosa do mundo.

A história da cidade remonta à dinastia Song - dominou a China no período compreendido entre 960 e 1279 – que ali fez nascer uma fortaleza para defender-se dos ataques dos piratas. Ainda assim, não foi considerada uma cidade até à segunda metade do século XIX.

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Foi apelidada como a Cidade das Trevas
A luz do sol quase não entrava na cidade Wikimedia Commons

Na terra de ninguém

Depois da ocupação japonesa, na Segunda Guerra Mundial, a cidade converteu-se no lar de muitos refugiados e imigrantes ilegais. Em 1950, já tinha 17.000 pessoas a viver sob a sua própria lei, ignorando as regras do exterior.

Em 1990, a cidade amuralhada já tinha 50 mil habitantes nos seus 2,6 hectares de terreno. Dos anos 50 aos 70, foi controlada por grupos locais e teve altos índices de prostituição, de jogos de apostas e abuso de drogas.

A cidade só foi demolida nos anos 90
O aspeto do caos que imperava na cidade Wikimedia Commons

Com o passar dos anos, a cidade não parou de crescer - não em largura, mas em altura. O “planeamento arquitetónico” deu origem a uma autêntica favela vertical de minúsculas casas quadradas que davam à cidade a aparência de uma colmeia humana.

As ruas eram semelhantes a túneis, nos quais não havia sinais de luz do sol, com telhados em cima de milhares de cabos e canos. Por estas razões, a cidade amuralhada de Kowloom também foi apelidada de "Cidade das Trevas", segundo o Gizmodo.

 

A única regra era não ultrapassar os 14 andares
Um local onde reinava a criminalidade e prostituição Wikimedia Commons

A viver sob sua própria legislação, qualquer um podia ser médico ou eletricista sem ter formação. Não havia qualquer tipo de controlo, sendo que a polícia nunca ousou entrar naquela área devido às elevadas taxas de criminalidade.

Em 1987, o governo chinês anunciou a ordem de despejo de todos os moradores da cidade e a futura demolição do aglomerado. O governo de Hong Kong pagou uma compensação às 900 empresas e aos mais de 10.000 domicílios que teriam de mudar-se.

A expulsão de todos os moradores levou anos. A demolição da cidade começou em 23 de março de 1993 e em abril de 1994 desapareceu para sempre.

 

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