Notícias sobre o mercado imobiliário e economia

Outra promotora com problemas agudiza crise imobiliária na China

A Fantasia Holdings também falhou o pagamento de títulos de dívida e ficou suspensa em bolsa.

Foto de Jacob Zatorsky en Pexels
Foto de Jacob Zatorsky en Pexels
Autor: Redação

A promotora chinesa Fantasia Holdings confirmou que no dia 4 de outubro não conseguiu cumprir as obrigações de pagamento do vencimento de uma dívida no valor de 205,65 milhões de dólares (177 milhões de euros), alimentando a incerteza em torno do alavancado setor imobiliário chinês, cujo expoente máximo é a gigante Evergrande e que, ontem, pela segunda sessão consecutiva esteve suspensa na bolsa de Hong Kong.

Em nota, a promotora, cujo porte é menor que a Evergrande, anunciou que “não cumpriu o pagamento” na data de vencimento (4 de outubro) de títulos no valor de 205,65 milhões de dólares. "O conselho de administração da empresa avaliará o impacto potencial na posição financeira e na liquidez do grupo sob esta circunstância", disse a empresa chinesa, cujas ações também foram suspensas de negociação a pedido do próprio mercado de Hong Kong.

De acordo com o jornal Financial Times, a agência de classificação de risco S&P rebaixou o rating da Fantasia na semana passada, colocando-o em CCC, e alertou para um "risco maior de execução no pagamento" em relação ao título que venceu nesta segunda-feira, 4 de outubro.

Por outro lado, a agência Fitch estima que a Fantasia tem 1.900 milhões de dólares em pagamentos de títulos estrangeiros com vencimento no final de 2022. O 'default' da Fantasia Holding soma-se às preocupações desencadeadas pela situação da gigante imobiliária Evergrande, cuja negociação foi interrompida desde esta segunda-feira sobre as ações de Hong Kong enquanto aguardam informações sobre uma importante transação.

Colapso do gigante Evergrande assusta mercados

A agência chinesa Caixian News, citando fontes próximas do processo, informava que o seu concorrente Hopson Development Holdings estaria negociando a compra de cerca de 51% das ações da Evergrande Property (divisão imobiliária do grupo), adquirindo assim o controle da empresa, por cerca de 40.000 milhões de dólares de Hong Kong (4.428 milhões de euros). A Evergrande reconheceu no final do passado mês de agosto o risco de incumprimento devido à dificuldade de obtenção da liquidez necessária devido à suspensão das obras em vários dos projectos desenvolvidos pela empresa.

O risco do gigante promotor entrar em 'default' tem estado no foco dos mercados nas últimas semanas, despertando os fantasmas da falência do Lehman Brothers em 2008, embora especialistas limitem o impacto que a falência da Evergrande teria à escala global. falência da Evergrande. No entanto, a empresa perdeu mais de 80% de seu valor de mercado até agora neste ano.

O vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Luís de Guindos, garantiu esta segunda-feira que "a exposição de bancos e entidades europeias (à Evergrande) é relativamente baixa", embora tenha destacado que a situação da empresa chinesa serve para destacar os riscos derivados da alavancagem.