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A exposição dos bancos ao crédito em incumprimento é, efetivamente, um problema para Portugal e o país precisa, mesmo e com urgência, de uma solução para o malparado da banca. Esta é a posição de Bruxelas, que veio assim reiterar o alerta dado, primeiro, pelo governador do Banco de Portugal e, depois, pelo primeiro-ministro. A criação de um "banco mau" inspirado no modelo italiano está em cima da mesa do Governo.

A posição assumida agora por Bruxelas mostra, segundo escreve o Público, que haverá por parte das autoridades europeias para debater o assunto com o Governo português de negociação com Itália.

No relatório da terceira avaliação pós-programa da troika, divulgado nesta segunda-feira e citado pelo diário, a Comissão Europeia sugere que se estude uma resposta para o problema. Se ela passa por um “veículo de resolução”, como admitiu António Costa, Bruxelas não diz, nem propõe uma medida concreta.

Créditos do imobiliário são um dos problemas

“Os bancos continuam a ter uma elevada e crescente exposição ao crédito malparado, a ativos hipotecados e a investimentos imobiliários problemáticos”, constatam os técnicos da Comissão Europeia, sublinhando que “os bancos registaram lucros em 2015 mas os níveis elevados de crédito em incumprimento pesam na rendibilidade e solvabilidade” das instituições.

Dados referiodos pelo jornal mostram que dos quase 200 mil milhões de euros de empréstimos a residentes (empresas e particulares), 9% são créditos em incumprimento – perto de 18 mil milhões de euros. E o valor aproxima-se dos 20 mil milhões considerando todo o universo dos empréstimos concedidos pelo setor financeiro, sendo particularmente evidente nas empresas (onde o malparado representa 15,5% dos empréstimos).

Uma das soluções para o problema do malparado da banca que o Governo está a olhar é para o modelo seguido em Itália, que acaba de fechar uma longa negociação com as autoridades europeias para ajudar os bancos a reduzirem os activos problemáticos, através de um fundo financiado por bancos, seguradoras e investidores institucionais.

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