Gigante alemã abre complexo industrial na China com megainvestimento

Também se trata do maior investimento realizado por uma empresa alemã num projeto de propriedade integral na China.
Complexo industrial na China
Créditos: BASF
Lusa
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A gigante química alemã BASF inaugurou esta quinta-feira, dia 26 de março, um grande complexo industrial na província de Guangdong, sul da China, após um investimento de cerca de 8,7 mil milhões de euros, o seu maior investimento no estrangeiro de sempre.

Segundo a agência noticiosa oficial Xinhua, trata-se também do maior investimento realizado por uma empresa alemã num projeto de propriedade integral na China, isto é, sem ser em parceria com uma empresa local.

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O complexo ocupa cerca de quatro quilómetros quadrados na cidade de Zhanjiang e é uma fábrica do tipo Verbund (fábricas que integram fisicamente produção, plataformas de mercado e tecnologias), onde já começaram a funcionar até 32 linhas de produção.

Destas saem mais de 70 produtos, entre os quais se destacam produtos químicos básicos e intermédios, os especializados para transportes, eletrónica, bens de consumo ou os destinados ao lar e aos cuidados pessoais.

A empresa tinha indicado anteriormente que a conclusão das obras neste complexo Verbund, o terceiro maior do mundo a seguir aos de Ludwigshafen (Alemanha) e Antuérpia (Bélgica), estaria prevista para 2030, com um investimento total estimado em cerca de 10 mil milhões de euros.

Conflito no Médio Oriente traz incerteza para setor petroquímico

O conselheiro executivo da BASF, Markus Kamieth, indicou no mês passado que o complexo de Zhanjiang é importante para a estratégia de longo prazo do grupo, mesmo que as condições a curto prazo sejam piores do que o esperado: “Espera-se que tenha uma contribuição ligeiramente negativa para os resultados em 2026 devido aos custos de arranque, mas preveem-se lucros positivos a partir de 2027”.

A inauguração destas fábricas surge num momento de grande incerteza para o setor petroquímico na Ásia, face às perturbações no abastecimento de matérias-primas essenciais, como o petróleo bruto e a nafta, provenientes do Médio Oriente, na sequência dos ataques dos EUA e de Israel contra o Irão e das retaliações de Teerão, também contra outros países da região.

No entanto, de acordo com analistas citados pela agência de notícias Bloomberg, a BASF estaria relativamente bem posicionada face à conjuntura, uma vez que a sua unidade em Zhanjiang foi concebida para operar com diferentes matérias-primas, como o butano – que obtém do Canadá –, o que lhe confere uma vantagem face a modelos mais antigos na região, baseados exclusivamente na nafta.

De acordo com o último relatório divulgado pela empresa, a BASF conta também com outras três fábricas importantes em Xangai (leste), Nanjing (leste) e Chongqing (centro), empregando cerca de 13.000 trabalhadores e registando, em 2024, vendas de 8,6 mil milhões de euros no país, mais de metade do total na região Ásia-Pacífico.

No entanto, com a região a caminho de aglutinar quase 70% do mercado mundial de produtos químicos até 2030, a BASF considera que a sua posição não é suficientemente forte: “A China representa menos de 15% das vendas globais da BASF, mas quase 50% do mercado global de produtos químicos. É por isso que estamos a reforçar a nossa presença na China”.

O grupo alemão prevê que, nessa data, três quartos da produção mundial de produtos químicos provirão da China.

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