China mantém taxa de juro de referência - está nos 3% há 11 meses

Cumprem-se, assim, as previsões mais generalizadas entre os analistas, que não antecipavam alterações.
Vista panorâmica de Pequim, China
Vista panorâmica de Pequim, China Getty images
Lusa
Lusa

O Banco Popular da China (banco central) anunciou esta sexta-feira (20 de março de 2026) que manterá a sua taxa de juro de referência nos 3%, pelo décimo primeiro mês consecutivo, cumprindo assim as previsões mais generalizadas entre os analistas, que não antecipavam alterações.

Na atualização mensal divulgada no seu portal oficial, a instituição indicou que a taxa preferencial de empréstimo (LPR, na sigla em inglês) a um ano se manterá neste nível pelo menos durante mais um mês. Este indicador, estabelecido como referência para as taxas de juro em 2019, serve para definir o custo dos novos créditos – geralmente para empresas – e dos empréstimos a taxa variável ainda por reembolsar.

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O seu cálculo é feito com base nas contribuições de preços de um conjunto de bancos – que inclui pequenos credores que tendem a ter custos de financiamento mais elevados e maior exposição a crédito malparado – e visa reduzir os custos de endividamento e apoiar a "economia real".

O banco central indicou também hoje que a LPR a cinco anos ou mais – referência para os empréstimos à habitação – continuará nos 3,5%, igualmente em linha com as previsões dos especialistas.

O último corte de taxas na China remonta a maio de 2025, quando a instituição procedeu a uma redução de dez pontos base: no caso da LPR a um ano, de 3,1% para 3%, e na de cinco anos ou mais, de 3,6% para 3,5%.

Perante uma conjuntura difícil para a segunda maior economia do mundo, essa decisão foi considerada "óbvia" pelos analistas, que previam possíveis cortes adicionais ao longo do restante ano de 2025, os quais acabaram por não se concretizar.

Segundo os economistas, o BPC dispôs nos últimos meses de margem para reduzir as taxas sem receio de uma desvalorização adicional do yuan, graças aos cortes realizados pela Reserva Federal (Fed) dos EUA, mas prevaleceu o receio de uma bolha nos mercados ou de agravamento dos problemas de excesso de capacidade industrial.

Além da incerteza associada às disputas comerciais com os EUA, a fraca procura interna e externa, aliada a riscos de deflação, estímulos insuficientes, uma prolongada crise no setor imobiliário e a falta de confiança dos consumidores e do setor privado são alguns dos fatores apontados pelos analistas para explicar uma recuperação menos robusta do que o esperado da economia chinesa após os anos de "zero covid".

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