Setor da construção resiste à queda na criação de empresas em Portugal

A forte procura por habitação e reabilitação urbana justifica a resistência do setor e o seu crescimento nos últimos anos.
Setor da construção
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Portugal registou um recuo de 4,1% na criação de novas empresas. Nos primeiros seis meses de 2026, foram criadas 27.831 novas empresas, menos 1.187 que no mesmo período de 2025, sendo o valor mais baixo desde 2023 na comparação entre os primeiros semestres, depois de um máximo histórico no ano passado. Com reduções em praticamente todos os setores, apenas a construção e as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) registaram crescimento no que respeita ao empreendedorismo. Relativamente a insolvências, o destaque, pela negativa, vai para o setor das atividades imobiliárias.

De acordo com os dados de 3 de julho de 2026 do Barómetro da Informa D&B, o setor da construção teve 4.116 novas constituições, o que representa um aumento de 11% (+411 constituições), atingindo um novo máximo acumulado do primeiro semestre e ficando pela primeira vez na segunda posição entre todos os setores. Esta tendência de crescimento do setor reflete a forte procura por habitação e reabilitação urbana e as oportunidades de negócio.

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Já as TIC, o outro setor em crescimento, teve 2.059 novas constituições, representando um crescimento de 5,1% (+99) face a período homólogo, sendo que a maioria destas constituições dizem respeito a consultoria e programação informática.

Em contrapartida, todos os outros setores recuaram na criação de empresas nos primeiros seis meses do ano, com especial destaque para a agricultura e pecuária (-37%; -332 constituições), os transportes terrestres (-13%; -234), os serviços de saúde humana (-15%; -183), o retalho alimentar (-42%; -163) e a restauração (-7,7%; -104). Este é já o segundo ano consecutivo de recuos nestes setores, à exceção da agricultura e pecuária.

Em termos geográficos, esta descida na criação de novas empresas “atingiu” quase todos os distritos, com destaque para Lisboa (-2,2%; -191 constituições), Madeira (-20%; -177) e Faro (-8,4%; -140).

2026 com menos encerramentos de empresas

Apesar da descida nas constituições, também os encerramentos diminuíram. No primeiro semestre do ano, encerraram 5.690 empresas em Portugal, o que representa uma descida de 18% (-1.263 encerramentos) em comparação com o mesmo período de 2025.

Relativamente ao acumulado dos últimos 12 meses, entre julho de 2025 e final de junho de 2026, encerraram 14.407 empresas em todos os distritos, representando uma queda de 8,0% (-1.260 encerramentos). Esta descida ocorreu em todos os setores, destacando-se os Serviços Empresariais (-9,8%; -235 encerramentos) e o retalho (-9,9%; -210), embora se tenha registado aumentos nos encerramentos em atividades específicas, como no retalho não especializado por correspondência ou via Internet (+139%; +96 encerramentos) e na fabricação de calçado (+93%; +25).

Atividades imobiliárias destacam-se nas insolvências

Houve 1.046 empresas com novos processos de insolvência no primeiro semestre deste ano, representando uma subida de 6,6% (+65 insolvências) face a período homólogo. As atividades imobiliárias foram as que mais se destacaram nesta matéria, registando +27 insolvências que nos primeiros seis meses de 2026, o que significa uma subida de 104%.

Os setores de alojamento e restauração também tiveram mais 21 insolvências (+12%) e as Indústrias mais 16 insolvências (+21%).

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