Escritórios: Lisboa recua no semestre; Porto acelera crescimento

O mercado de escritórios na capital encerrou o semestre com uma descida homóloga de 20%, enquanto na Invicta a subida foi de 80%.
Escritórios
Pexels

O mercado de escritórios no Porto continua em alta, tendo crescido 80% no primeiro semestre deste ano, comparativamente ao mesmo período do ano passado, encerrando estes primeiros seis meses com um volume de absorção de 19.516 metros quadrados (m2). Lisboa, apesar de registar um valor muito maior, de 66.906 m2, teve uma redução homóloga de 20%.

De acordo com o relatório Office Market Spotlight H1 2026, da Savills Portugal, este foi o melhor semestre do Porto desde 2024. Só no segundo trimestre foram contratados 12.366 m2, o que representa um crescimento homólogo de 89%. Contudo, a atividade permanece 9% abaixo da média dos primeiros semestres dos últimos cinco anos. 

Publicidade

A procura pública e institucional foi a principal responsável pelo crescimento do mercado, totalizando 7.128 m2 (37%), especialmente a operação dos Serviços Nacionais de Saúde (SNS), que totalizaram 6.149 m2. Em seguida surge o setor de Tecnologias e Utilities, com 29% do volume total de absorção, o que representa um crescimento homólogo de 66%.

Quanto às rendas, continuaram estáveis nas sete zonas de escritórios do Porto. A Boavista Prime CBD manteve o valor do primeiro semestre do ano passado, os 21 euros por metro quadrado por mês (euros/m2/mês).

Segundo as previsões da Savills Portugal, o mercado de escritórios no Porto deve receber 46.377 m2 de nova oferta até final do ano, com um nível de 'pre‑let' na ordem dos 44%, e para os próximos dois anos prevê-se a entrada de 51.000 m2, distribuídos por cinco projetos.

Já o mercado de Lisboa teve um semestre bem diferente. A procura até recuperou nos primeiros três meses, mas os resultados do segundo trimestre levaram a que o semestre encerrasse com um recuo de 20%. A renda prime sofreu uma subida homóloga de 3,4%, para os 30 euros/m2/mês, e as operações subiram 11% para um total de 80, ou seja, pese a queda na área contratada, a procura manteve-se ativa.

No que respeita a expansões, subiram de 13% em 2025 para 43% em 2026, o que reflete a preferência das empresas por crescerem nos espaços que já ocupam, mas também a escassez de produto de qualidade, escassez essa que leva a que mais de metade da área do ‘pipeline’ previsto para 2026-2027 esteja já pré-assegurada. O setor das Tecnologias e Utilities foi o que mais procurou escritórios em Lisboa, ocupando 25.223 m2, que se traduz em 38% do volume de absorção total.

Lisboa receberá o Projeto EntreCampos em 2028, que trará à cidade mais de 100.000 m2 de espaço prime que deverão redefinir o Prime CBD.

“Lisboa e Porto confirmam, cada um à sua escala, que a procura por escritórios em Portugal continua ativa. Na capital, a subida do número de operações e o peso das expansões mostram empresas a comprometerem-se com os espaços que já conhecem. No Porto, o crescimento de 80% no volume de ocupação reforça o papel da cidade como alternativa relevante, sustentada, sobretudo, pela procura pública e institucional. Em ambos os mercados, o fator comum é a escassez de produto de qualidade, que deverá continuar a condicionar a atividade nos próximos trimestres”, explica, em comunicado, Frederico Leitão de Sousa, Head of Offices da Savills Portugal.

Para poder comentar deves entrar na tua conta

Acompanha toda a informação imobiliária e os relatórios de dados mais atuais nas nossas newsletters diária e semanal. Também podes acompanhar o mercado imobiliário de luxo com a nossa newsletter mensal de luxo.