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Dicas de decoração: a cortiça é “fashionable” porque...

Autor: Redação

A cortiça voltou para ficar. Trata-se de um material moderno e com múltiplos usos, nomeadamente no design de mobiliário e no setor da construção. Fica a saber tudo sobre esta tendência no sétimo tema da rubrica semanal do idealista/news, dedicada à arquitetura e decoração e assegurada pela Architect Your Home.

Nos últimos anos a cortiça eclodiu no mercado das mais diversas formas sempre com um cunho de inovação

Às emergentes criações de design tem-se juntado a presença constante em edifícios, em mostras internacionais de índole cultural, que associam à sua forte arquitetura e design a utilização da cortiça, reforçando a ideia que este material voltou para ficar.

Pavilhão de Portugal na Expo 2010, em Xangai: Carlos Couto

Pavilhão de Portugal na Expo 2010, em Xangai: Carlos Couto

O ressurgimento da cortiça

O aparecimento da cortiça como material nobre aconteceu primeiramente na EXPO 2000 em Hannover (Alemanha), pela mão dos arquitetos Siza Vieira e Souto Moura, e, mais recentemente, na EXPO 2010, em Xangai (China), criando uma apetência internacional para o seu conhecimento e para o seu uso, facto que veio a acontecer quando, em 2012, se inaugurou a Serpentine Gallery, em Londres, com um interior totalmente modelado em cortiça.

Serpentine Gallery Pavillion, 2012: Colaboração entre os arquitetos Herzog & de Meuron e o artista chinês Ai Weiwei.

Serpentine Gallery Pavillion, 2012: Colaboração entre os arquitetos Herzog & de Meuron e o artista chinês Ai Weiwei.

A partir desse momento estava relançada a confiança das empresas produtoras e transformadoras deste produto natural, como a Corticeira Amorim ou a Sofalca, em apoiarem a exploração de novas formas de lidar com um produto que ainda encontra 70% do escoamento da sua produção totalmente assegurado apenas pela indústria vinícola, em especial a dos champanhes.

Ascensão e declínio

Mas não é a primeira vez que a cortiça, ancestralmente utilizada, ganhou protagonismo na história da humanidade. No século XVI, o recentemente construído à época Convento dos Capuchos, na região de Sintra pela mão de Dom Álvaro de Castro, cujo interior fora totalmente revestido a cortiça, via esta excepcional condição ser elogiada por Filipe II de Espanha, referindo-se-lhe como uma das duas maravilhas do seu reino, a par do Escorial, em Espanha.

Interior do Convento dos Capuchos em Sintra, Sécúlo XVI.

Interior do Convento dos Capuchos em Sintra, Sécúlo XVI.

Apesar do seu destino ter ficado associado à descoberta da sua aplicação mais importante, no século XVII, como o material por excelência para rolhar a garrafas de Moet & Chandon, dadas as suas características de impermeabilidade e de isolante térmico, nunca se desistiu de se inventarem maneiras de utilizar a cortiça em tudo o que diz respeito à construção.

Assim se progrediu para a sua industrialização de produção e transformação nos EUA, em 1836, e se criaram novos materiais como o betão/cortiça ou o tijolo de cortiça no início de 1900 e, uma década mais tarde, com a invenção da câmara de autoclave, os ladrilhos e o linóleo, os novos materiais nobres de revestimento de todas as superfícies interiores de uma construção.

Imagem de um linóleo fabricado por volta de 1950.

Imagem de um linóleo fabricado por volta de 1950.

Mas foi o estrondoso sucesso e diversidade de aplicação que acabaram por se tornar a verdadeira causa do seu abandono. Após uma crescente e extensa utilização no revestimento de edifício institucionais (Casa da Moeda, INE, INEF, etc.) e das casas burguesas do país nos anos 40 a 60 do século XX (Av. Sidónio Pais, Avenidas Novas, Av. Guerra Junqueiro, etc.), o bom comportamento do material, o baixo preço de custo e, acima de tudo, o facto de a produção ser totalmente nacional, levaram a que a cortiça fosse adotada como material de revestimento de pavimentos para os programas de habitação a custos controlados nos anos 70 e 80, vindo a ficar-lhe associada uma imagem muito prejudicial de enorme vulgaridade.

Foi apenas no dobrar do milénio, com o impulsionamento dado pelas novas tecnologias, que as empresas produtoras começaram a apostar na inovação, em especial na fase da conceção.

Estavam assim criadas as condições para o aparecimento de peças de design imprevistas, como cadeiras ou bancos ou ainda candeeiros, entre uma série de outros objetos utilitários.

Invenções recentes de SAAL, Daniel Michalik, Benjamin Hubert, Souto Moura, Amanda Levete e Jasper Morrison.

Invenções recentes de SAAL, Daniel Michalik, Benjamin Hubert, Souto Moura, Amanda Levete e Jasper Morrison.

Um futuro garantido 

Mas é a apostar numa constante inovação que envolva todos os parceiros do processo de conceção, produção e construção que verdadeiramente se alcançará a qualidade desejada para o espaço que habitamos.

Interior do pavilhão da Corticeira Amorim na 26ª Concreta, na Exponor 2013: Pedro de Azambuja Varela + Maria João de Oliveira.

Interior do pavilhão da Corticeira Amorim na 26ª Concreta, na Exponor 2013: Pedro de Azambuja Varela + Maria João de Oliveira.