
A cortiça voltou para ficar. Trata-se de um material moderno e com múltiplos usos, nomeadamente no design de mobiliário e no setor da construção. Fica a saber tudo sobre esta tendência no sétimo tema da rubrica semanal do idealista/news, dedicada à arquitetura e decoração e assegurada pela Architect Your Home.
Nos últimos anos a cortiça eclodiu no mercado das mais diversas formas sempre com um cunho de inovação.
Às emergentes criações de design tem-se juntado a presença constante em edifícios, em mostras internacionais de índole cultural, que associam à sua forte arquitetura e design a utilização da cortiça, reforçando a ideia que este material voltou para ficar.

O ressurgimento da cortiça
O aparecimento da cortiça como material nobre aconteceu primeiramente na EXPO 2000 em Hannover (Alemanha), pela mão dos arquitetos Siza Vieira e Souto Moura, e, mais recentemente, na EXPO 2010, em Xangai (China), criando uma apetência internacional para o seu conhecimento e para o seu uso, facto que veio a acontecer quando, em 2012, se inaugurou a Serpentine Gallery, em Londres, com um interior totalmente modelado em cortiça.

A partir desse momento estava relançada a confiança das empresas produtoras e transformadoras deste produto natural, como a Corticeira Amorim ou a Sofalca, em apoiarem a exploração de novas formas de lidar com um produto que ainda encontra 70% do escoamento da sua produção totalmente assegurado apenas pela indústria vinícola, em especial a dos champanhes.
Ascensão e declínio
Mas não é a primeira vez que a cortiça, ancestralmente utilizada, ganhou protagonismo na história da humanidade. No século XVI, o recentemente construído à época Convento dos Capuchos, na região de Sintra pela mão de Dom Álvaro de Castro, cujo interior fora totalmente revestido a cortiça, via esta excepcional condição ser elogiada por Filipe II de Espanha, referindo-se-lhe como uma das duas maravilhas do seu reino, a par do Escorial, em Espanha.

Apesar do seu destino ter ficado associado à descoberta da sua aplicação mais importante, no século XVII, como o material por excelência para rolhar a garrafas de Moet & Chandon, dadas as suas características de impermeabilidade e de isolante térmico, nunca se desistiu de se inventarem maneiras de utilizar a cortiça em tudo o que diz respeito à construção.
Assim se progrediu para a sua industrialização de produção e transformação nos EUA, em 1836, e se criaram novos materiais como o betão/cortiça ou o tijolo de cortiça no início de 1900 e, uma década mais tarde, com a invenção da câmara de autoclave, os ladrilhos e o linóleo, os novos materiais nobres de revestimento de todas as superfícies interiores de uma construção.

Mas foi o estrondoso sucesso e diversidade de aplicação que acabaram por se tornar a verdadeira causa do seu abandono. Após uma crescente e extensa utilização no revestimento de edifício institucionais (Casa da Moeda, INE, INEF, etc.) e das casas burguesas do país nos anos 40 a 60 do século XX (Av. Sidónio Pais, Avenidas Novas, Av. Guerra Junqueiro, etc.), o bom comportamento do material, o baixo preço de custo e, acima de tudo, o facto de a produção ser totalmente nacional, levaram a que a cortiça fosse adotada como material de revestimento de pavimentos para os programas de habitação a custos controlados nos anos 70 e 80, vindo a ficar-lhe associada uma imagem muito prejudicial de enorme vulgaridade.
Foi apenas no dobrar do milénio, com o impulsionamento dado pelas novas tecnologias, que as empresas produtoras começaram a apostar na inovação, em especial na fase da conceção.
Estavam assim criadas as condições para o aparecimento de peças de design imprevistas, como cadeiras ou bancos ou ainda candeeiros, entre uma série de outros objetos utilitários.

Um futuro garantido
Mas é a apostar numa constante inovação que envolva todos os parceiros do processo de conceção, produção e construção que verdadeiramente se alcançará a qualidade desejada para o espaço que habitamos.

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