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Avaliação que banca faz às casas já reflete efeitos da Covid-19

Pela primeira vez em quatro anos, baixa no mercado nacional o valor atribuído aos imóveis no âmbito dos empréstimos para a compra de habitação.

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Autor: Redação

Março de 2020 marcou um ponto de inflexão na tendência de subida do valor atribuído pela banca às casas em Portugal, desde 2016. No mês passado, foi assim a primeira vez que a avaliação bancária realizada no âmbito do crédito à habitação registou uma quebra num período de quatro anos, evidenciando já os efeitos da crise gerada pela pandemia global do coronavírus, segundo os dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados esta segunda-feira, dia 27 de abril de 2020. 

“A informação deste destaque, respeitante a março, já deverá refletir parcialmente efeitos da pandemia covid-19, quer no comportamento do índice de preços, quer na quantidade de informação primária disponível para compilar o índice”, refere o instituto.

Em concreto, o valor mediano de avaliação bancária foi de 1110 euros em março, menos um euro do que o observado no mês anterior, o que corresponde a uma descida de 0,1% face a fevereiro e um aumento de 10,3% face ao mesmo mês do ano anterior.

A nível regional, a maior subida face ao mês anterior registou-se na Região Autónoma da Madeira (2,2%) e a descida mais acentuada foi observada no Alentejo (-1,7%).

Em comparação com o período homólogo, o valor mediano das avaliações cresceu 10,3% e a taxa de variação homóloga mais elevada para o conjunto das avaliações verificou-se na Área Metropolitana de Lisboa (12,1%), com a menor foi registada no Alentejo (1,8%).

No mês em análise, o valor mediano de avaliação bancária de apartamentos foi 1209 euros por metro quadrado, aumentando 11,7% relativamente ao mês homólogo, enquanto o valor mediano da avaliação bancária das moradias foi de 923 euros por metro quadrado, o que representa uma subida de 5,1% em relação mesmo mês do ano anterior.

INE muda metodologia para analisar melhor mercado residencial

Por outro lado, o INE ressalva que estes dados não são comparáveis com a série anterior, uma vez que a metodologia de apresentação das estatísticas mudou, sendo agora introduzida uma série do Inquérito à Avaliação Bancária na Habitação (IABH), com a substituição do valor médio, anteriormente obtido pela média geométrica dos valores observados, pelo valor mediano de avaliação bancária, complementado pela divulgação do valor para o 1.º e 3.º quartil da distribuição de valores observados e a substituição da área útil pela área bruta como referência para o cálculo do indicador.

“Esta alteração tem como consequência que o valor por metro quadrado seja agora forçosamente menor visto que a área de referência passou a ser maior”, refere o INE, explicando que desta forma se eliminou alguma ambiguidade associada à identificação de área útil.

As alterações visaram, entre outros aspectos, promover a comparabilidade com outros indicadores sobre o mercado habitacional, produzidos pelo INE, refere.