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Crédito à habitação no Bankinter: “Temos de oferecer as melhores condições do mercado”

Autor: Hermínia Saraiva (colaborador do idealista news)

Queres saber tudo o que os principais bancos têm para oferecer no momento de conceder um crédito à habitação? Para ajudar-te, o idealista/news fez uma ronda pelas grandes instituições financeiras para reunir toda a informação, que é necessário saber para pedir um empréstimo para a compra de casa. Publicamos um artigo por dia a contar o resultado da nossa reportagem "cliente mistério".

A ronda que nos levou em busca das melhores ofertas do crédito à habitação chega hoje ao fim. Depois de visitarmos a CGD, BCP, BPI, Novo Banco, Santander e Montepio, é a vez de pararmos num balcão do Bankinter. O banco espanhol chegou recentemente ao mercado português, depois de comprar o negócio do britânico Barclays e elegeu o crédito à habitação como uma das apostas para crescer em Portugal.

Escolhemos a dependência da Avenida da República, em Lisboa, que a meio de uma manhã de uma sexta-feira está deserta. Já nos habituamos a encontrar balcões vazios. 

Explicamos porque ali estamos: andamos à procura da melhor oferta do mercado para um crédito à habitação. Queremos gastar cerca de 160 mil euros, somos dois proponentes com idades à volta dos 35 anos, com um rendimento mensal líquido conjunto de cerca de 3 000 euros e sem qualquer encargo no setor bancário. Queremos saber quais as alternativas que temos em matéria de regimes de taxa de juro, sabendo à partida que não queremos estar mais de 30 anos a pagar o empréstimo. 

O Bankinter disponibiliza-se a financiar entre 75% e 80% do valor da avaliação da casa. Analisando as condições apresentadas, a funcionária admite que o banco possa vir a emprestar 80% – 128 000 euros, mas avisa que qualquer avaliação do empréstimo só poderá ser feita com base em dados concretos e que qualquer empréstimo carece de autorização superior. 

Sendo a sétima instituição bancária que visitamos há elementos que já não nos surpreendem – também o Bankinter só trabalha com taxas de juro indexadas à Euribor a 12 meses –, mas há outros que são inesperados: conseguir abaixo do spread base implica apenas abrir uma conta à ordem, domiciliar o vencimento – o que garante a isenção de comissões de conta e cartões – e contratar os dois seguros necessários ao empréstimo através do banco.

“Sei que há bancos que têm uma lista enorme, pedem isto e aquilo, seguros e investimento, aqui não. É quase um achado”, diz a funcionária. Concedemos que já nos deparamos com exigências muito superiores e a funcionária alerta-nos: “Se for fazer tudo o que eles pedem acaba por ter uma despesa brutal, a prestação não é só aquilo, é aquilo mais sete ou oito produtos”.

Tentamos perceber o que leva o banco a limitar os requisitos exigidos. “Com o Barclays não tínhamos estas condições. Eles já queriam desinvestir. O Bankinter é que quando compra a operação do Barclays veio com o intuito de crescer e tem capital próprio para apostar no financiamento às PME e também crédito à habitação.”

Assim, seja para um empréstimo com taxa variável indexada à Euribor a 12 meses ou de taxa fixa a 10 anos, o Bankinter oferece um spread de 1,900%. No primeiro caso, a prestação será de 465,91 euros, aumentando para 499,79 euros com um regime de taxa fixa.

Tal como o BPI também o Bankinter permite fixar a taxa por 30 anos, o que neste caso representa toda a vida do empréstimo. Mantendo-se o spread nos 1,900% e com uma taxa de juro de 2,924%, a simulação apresenta-nos uma prestação mensal de 534,42 euros.

Em qualquer dos casos, o spread poderá ser mais baixo, mas as exigências sobem: “Se o cliente tiver um envolvimento de 50 000 euros com o banco [depositado até próximo da escritura] o spread desce para 1,85%. Obviamente que o cliente não precisa de ficar aqui com o dinheiro retido, pode usar até para a compra da casa, se for caso disso”. Se no limite, e além do envolvimento de 50 000 euros, só pedíssemos emprestado 70% do valor da avaliação conseguiríamos um spread de 1,25%. 

Tal como nos outros bancos, amortizações ou liquidação antecipada do empréstimo obrigam ao pagamento de 0,5% do valor a amortizar ou liquidar no caso de um empréstimo com taxa variável. Para o empréstimo de taxa fixa o juro sobe para 2%.

Se não houver grandes surpresas no processo, o Bankinter diz assegurar a escritura da casa do espaço de um mês ou pouco mais. A funcionária diz-nos que essa é uma das armas do banco para angariar clientes: “se quer apostar fortemente no crédito à habitação e às empresas o banco tem todo o interesse em oferecer as melhores condições do mercado”.

Custos associados ao processo

  • Comissão de Estudo: 270,40 euros (cobrado no momento da avaliação do empréstimo e é independente da sua concessão efetiva)
  • Comissão de Avaliação: 220.00 euros (cobrada pela avaliação do imóvel. Fora dos Distritos de Lisboa, Porto, Coimbra e Faro é somado o valor da deslocação)
  • Comissão de Tramitação: 110,70 (cobrado no momento de preparação da escritura e é independente da formalização do crédito) 
  • Comissão de Solicitadoria: 123,00 euros (cobrado no momento de preparação da escritura e é independente da formalização do crédito)
  • Comissão de formalização: 124,80 euros (a cobrar no momento da formalização do empréstimo)

Empréstimo de 128.000 euros, com euribor a 12 meses e prestações variáveis, de 360 meses (30 anos), com um valor estimado da avaliação de 160.000 euros:
 
- valor da escritura da casa: 160.000 euros
- “spread”: 1,900%
- prestação mensal: 465,91 euros
- seguro do imóvel: 129,74/ano
- seguro de vida: 17,58 euros/mês 
- valor da primeira prestação: 613,23 euros
- comissão de processamento de cada prestação: não se aplica
- Taxa Anual Nominal (TAN): 2,622%
 
Empréstimo de 128.000 euros, com euribor a 12 meses e taxa fixa a cinco anos, de 360 meses (30 anos), com um valor estimado da avaliação de 160.000 euros:
 
- valor da escritura da casa: 160.000 euros
- “spread”: 1,900%
- prestação mensal: 499,79 euros
- seguro do imóvel: 129,74/ano
- seguro de vida: 17,58 euros/mês 
- valor da primeira prestação: 647,10 euros
- comissão de processamento de cada prestação: não se aplica
- TAN : 3,683%