casas de portugueses pelo mundo: viver em bucareste, roménia (fotos)

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na rubrica "casas de portugueses pelo mundo" contamos-te histórias de gente da nossa terra que atravessou a fronteira e teve de procurar casa noutras paragens. desta vez fomos até bucareste, a capital da roménia, onde batemos à porta da carolina patrocínio

carolina vive em bucareste há cinco meses. esta engenheira do ambiente tem 28 anos e mudou-se para a capital romena porque entrou no inov contacto, um programa de estágios internacionais para jovens quadros, gerido pela agência para o investimento e comércio externo de portugal (aicep). vive numa casa partilhada, mesmo no centro da cidade e, apesar do aspecto degradado das fachadas dos prédios, carolina garante que, por dentro, as casas recuperadas

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pergunta: como conseguiste encontrar casa?

resposta: vi cerca de 7 ou 8 casas, sempre através de contactos de agências imobiliárias ou de contactos de colegas de trabalho

 

pergunta: qual o a renda média para um t2 nessa cidade?

resposta: cerca de 350 euros

 

pergunta: quanto pagas de renda?

resposta: pago 800 euros por uma casa partilhada com mais duas pessoas. este é um valor alto tendo em conta o salário mínimo do país (cerca de 250 euros). no entanto, considerando a localização super central, a área da casa e o estado de conservação do edificio, penso que é um preço muito justo

 

pergunta: como funciona ai o arrendamento?

resposta: o arrendamento aqui funciona como em portugal, tanto quanto sei. é normal pedirem um ou dois meses de avançoo em termos de renda, e os contratos de arrendamento são semelhantes. normalmente as contas não estão incluidas e caso seja via agência, cobram sempre uma comissão entre 50 a 100% do valor da renda

 

pergunta: achaste as casas muito diferentes de portugal?

resposta: grande parte dos prédios em bucareste tem um aspecto degradado, mas as casas no interior estão muitas vezes bem arranjadas e recuperadas. todas as casas têm aquecimento central, por mais degradado que esteja o prédio, existindo mesmo uma rede municipal de aquecimento o que, para nós (portugueses) é algo que nem sequer nos passa pela cabeça. mas aqui faz todo o sentido, claro, as temperaturas no inverno são sempre negativas

 

pergunta: e com o funcionam as contas da água e da luz?

resposta: normalmente num prédio existe apenas um contador de água e para o aquecimento central, e as contas são depois feitas em função do número de pessoas que vivem em cada apartamento e não por área ou por contador com o consumo efectivo de cada casa. isto pode dar problemas

 

pergunta: e notaste mais algumas diferenças?

resposta: ainda é muito comum a existência de porteiros, que sabem tudo sobre a vida de todos os inclinos e, por isso, as portas de entradas dos prédios muitas vezes não têm campainhas e é impossivel abrir a porta do prédio via intercomunicador. é comum não haver estores nas janelas e as canalizações são de má qualidade

 

pergunta: tens alguma história curiosa que tenha acontecido com a tua casa, ou no processo de procura de casa?

resposta: sim, encontrámos uma casa que era "aquela". combinámos rendas e tudo verbalmente e no dia combinado, a senhoria desistiu de arrendar a casa. outra história, mas com menos graça, foi ter sem-abrigos a dormir à porta de casa, num 8º andar, com -10º na rua, dá que pensar, no minimo...

 

pergunta: bucareste é uma boa cidade para se viver?

resposta: bucareste é uma capital europeia. até agora não senti falta de nada essencial, (fora o elemento água!). a rede de transportes é boa e os taxis são baratissimos. há todo o tipo de serviços, lojas, restaurantes para todos os preços e há sempre actividades culturais em que se pode participar. claro que viver bem em bucareste está intimamente relacionado com o local onde se vive e o local onde se trabalha. o trânsito na cidade é caótico. antes de vir esperava encontrar uma cidade bem mais insegura. é certo que vivo e trabalho no centro o que possívelmente me dá uma visão um pouco distorcida de outras realidades

 

pergunta: diz-nos as três melhores coisas dessa cidade

resposta: os parques são um ex-líbris da cidade! há um parque em cada esquina e estão sempre muito bem arrajados e animados. quando chega o bom tempo toda a gente sai para a rua e desfruta de um passeio no parque. o meu preferido é o praque de cismigiu. a “nightlife” de bucareste não pode ser ignorada nem a luz de da cidade, qualquer que seja a época do ano

 

pergunta: e as três piores?

resposta: existe o risco de se ser alvo de um ataque de matilhas de cães abandonados, porque a comunidade destes animais é gigante. quando chove ou quando a neve comeca a descongelar é um caos de lama e poças de água, o que torna qualquer percurso a pé uma verdadeira gincana. ainda neste ponto, devido às baixas temperaturas no inverno, as obras nas ruas que não terminaram, ficam paradas e há ruas que passam estações inteiras em modo “cenário de guerra”. os cabos eléctricos nesta cidade não estão enterrados, por isso, é comum haver amontoados de cabos enrolados a postes de electricidade e ligações estranhissimas entre edificios. não posso deixar de referir o trânsito. conduzir em Bucareste é caótico. há que olhar sempre em todas as direcçoões, ignorar as buzinas “and go with the flow!”

 

pergunta: se fossemos visitar bucareste, o que não poderiamos perder?

resposta: fazer um “walking tour” pela zona de lipscani - unirii - casa poporului para apreciar a arquitectura “art nouveau” e da época comunista, tão caracteristicas desta cidade. comer um “covrig” (pretzel) pelo caminho e descansar ao fim da tarde numa esplanada em lipscani a beber uma cerveja. depois jantar no cara cu bere e seguir para um qualquer bar ou discoteca pela noite dentro. um passeio num dos muitos parques de bucareste é uma boa sugestão numa tarde de sol e ver o pôr-do sol de um ponto alto da cidade

 

1 Comentários:

8 Maio 2013, 14:50

Gostaria muito de conhecer bucareste

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