As grutas escuras que serviram de abrigo aos nossos antepassados paleolíticos marcaram o início da nossa relação íntima com os refúgios na pedra. O Olen, um pequeno complexo hoteleiro esculpido e camuflado na falésia da ilha grega de Siros, é um exemplo disso.
Quartos enterrados na encosta, terraços que acompanham o declive natural do terreno e paredes num tom ocre típico da terra mediterrânica fundem-se com a montanha.
Esta construção procura não perturbar a paisagem e foi idealizada como uma obra onde convergem a criatividade arquitetónica e a coerência com o meio envolvente. O Olen é um espaço onde perdura o instinto primordial de sobrevivência, em diálogo com a arquitetura moderna.
Vista para o mar Egeu
Com o desafio de criar um complexo de sete suítes num local relativamente intocado, o Ateno Architecture Studio, sediado em Atenas, deu prioridade à integração do Olen na paisagem, criando uma forma escalonada, quase de anfiteatro, virada para o mar Egeu.
Daí resultou uma mistura contrastante de terraços amplos e abertos com quartos subterrâneos iluminados por claraboias, instalados no interior da falésia, e toda a composição é emoldurada por paredes revestidas a reboco texturado em tons de terra.
"O Olen situa-se num local remoto da ilha de Siros, onde a paisagem natural continua a prevalecer sobre o ambiente construído. A principal ambição do projeto era preservar este equilíbrio, apesar de a encomenda exigir uma intervenção de escala relativamente grande", explica o atelier.
"O projeto não se define pela composição de objetos tridimensionais, mas antes pela montagem de superfícies horizontais e verticais, planos de terraços, muros de contenção e cortes no terreno, o que permite ler a arquitetura como parte integrante da própria paisagem."
Três elementos ligados por um trilho
O Olen divide-se em três elementos : O Plano, A Linha e O Ponto, que descem pelo terreno e se ligam através de um trilho em ziguezague. A privacidade destas zonas aumenta progressivamente à medida que se desce a encosta.
O Plano ocupa o ponto mais alto do terreno, definido por um troço curvo de muro de contenção que delimita um grande terraço com uma pérgola em forma de folha e uma piscina.
Encaixados na colina estão os espaços comuns e um quarto, enquanto outros três quartos se situam junto a terraços mais pequenos, em volumes cúbicos que se projetam em direção ao mar.
"Os muros de contenção curvos que definem O Plano, juntamente com a pérgola, são os gestos mais marcantes do projeto. A geometria serpenteante dos muros organiza a circulação, introduz uma sensação de teatralidade e cria uma atmosfera envolvente que oferece proteção sem deixar de estar aberta ao horizonte e ao mar infinito", afirmam os arquitetos.
Mais abaixo, A Linha acolhe duas unidades habitáveis subterrâneas de maior dimensão, que podem funcionar de forma independente ou como uma só, e que se abrem para um terraço partilhado com uma piscina infinita, longa e estreita.
No fim do percurso que desce pelo terreno encontra-se O Ponto, uma casa de hóspedes independente e subterrânea, dominada por um muro de contenção curvo em pedra e uma pequena piscina circular.
Esta alvenaria à vista é a única excepção às paredes rebocadas, de textura rugosa e tons de terra, usadas por todo o Olen, tanto nos muros de contenção como no enquadramento das claraboias que revelam as zonas subterrâneas sob a encosta.
Uma paleta quente de tons de branco sujo define os interiores do complexo, escolhida para criar um ambiente luminoso e diáfano apesar do carácter subterrâneo de muitos dos espaços. A isto juntam-se pavimentos em pedra clara que unificam os terraços exteriores e os quartos interiores e oferecem uma superfície fresca sob os pés durante o Verão.
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