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Chegou a hora dos spreads no crédito à habitação abaixo de 1%?

Autor: Redação

A recente guerra de spreads puxou as margens mínimas cobradas pelos bancos no crédito à habitação para valores abaixo dos 2%, que contrastam com os recordes acima dos 4% registados no pico da crise. Será que as instituições financeiras a operar no mercado nacional estão agora disponíveis para baixar mais ainda o preço na hora de conceder um empréstimo para a compra de casa?

Em plena competição, os maiores bancos têm atualmente ofertas que variam entre 1,5% e 1,75%, podendo haver alguma margem para mais quebras - mas muito curta e nunca abaixo de 1%, segundo escreve o Eco.

Os argumentos dos analistas

“Não acreditamos que haja uma margem significativa para a descida dos spreads, quer porque a própria subida das Euribor deverá ser diminuta, quer pelo facto de os bancos necessitarem de ser rentáveis”, refere Rui Serra, citado pelo jornal.

Esta visão é partilhada por Paula Carvalho, economista-chefe do BPI. “Num cenário global mais positivo haveria provavelmente condições para que os prémios de risco continuassem a descer. Mas será um movimento lento, dados os condicionalismos da banca em termos de rentabilidade”, complementa a economista.

"Num cenário global mais positivo haveria provavelmente condições para que os prémios de risco continuassem a descer. Mas será um movimento lento, dados os condicionalismos da banca em termos de rentabilidade.”

Já Filipe Garcia, da IMF, não antevê sequer que haja condições para os bancos oferecerem spreads mais baixos. “Penso que haverá pouco espaço para descidas nos spreads ‘reais’, tendo em conta as necessidades de receitas dos bancos e os spreads atuais já se encontrarem próximos da margem mínima nessas operações. Claro que poderá haver campanhas com spreads mais baixos, mas com certeza que haverá outros custos ou comissões que colocam a TAEG a um nível equivalente aos atuais”, diz o economista.

Melhor para todos que spreads se mantenham

Nenhum dos analistas consultados pelo ECO antecipa que o prémio cobrado pelos bancos para financiar a aquisição de casa possa cair abaixo da fasquia dos 1%. Paula Carvalho diz ser “bastante improvável” e Rui Serra considera mesmo que “não é desejável”.

“É fundamental para a solidez do sistema bancário que os bancos portugueses tenham lucros. Sendo o crédito à habitação uma das principais atividades dos bancos, é crucial também que este segmento de atividade seja lucrativo, ao contrário do que sucedeu nos últimos tempos, em que os bancos estiveram, no que em linguagem económica se designa, a subsidiar as famílias (muito ‘por culpa’ das Euribor negativas)”, argumenta o economista.