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Como descomplicar a linguagem do crédito à habitação: o que é o diferimento de capital

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Autor: Redação

Comprar casa é um processo que pode gerar algumas dores de cabeça, nomeadamente quando a pessoa tem de se endividar e pedir dinheiro emprestado ao banco. Na rubrica que o idealista/news tem em parceria com a Deco, continuamos a descodificar as disposições rebuscadas que são utilizadas aquando da contratação de um crédito à habitação: hoje trocamos por miúdos o diferimento de capital.

O objetivo é descomplicar ou descodificar alguma da linguagem utilizada pelas instituições de crédito na hora de conceder um empréstimo, porque sabemos que, por vezes, pode ser difícil aos consumidores compreender tudo e isso pode gerar problemas futuros.

O que é, afinal, o diferimento de capital?

Se pretendes comprar casa com recurso a crédito à habitação, mas queres pagar menos nos primeiros anos, poderás optar por um período de carência de capital, durante o qual só pagas juros. Contudo, esta solução tem um limite temporal e oscilará entre 12 e 24 meses.

Existe outra modalidade que te permitirá também pagar uma prestação mais baixa em todo o período do empréstimo: o diferimento de capital. Se optares por um crédito com diferimento de capital estarás a adiar para o final do prazo o pagamento de uma parte da dívida. 

Pagarás menos ao longo de todo o empréstimo, mas ficarás com uma prestação final maior, representando, em regra, cerca de 30 a 35% do capital.

Sendo uma solução que aparenta uma grande vantagem, pois permite aliviar o orçamento familiar por mais tempo, encerra, contudo, o reverso da medalha: é uma das modalidades mais caras, pois pagarás sempre juros sobre o total da dívida, inclusivamente sobre o valor da última prestação.

Além disso pode englobar alguns riscos: supõe que, chegada a data de pagar a última prestação, não tens capacidade financeira para o fazer. 

Exemplificando: para um crédito à habitação de 150.000 euros por 30 anos, com taxa de juro de 5% e diferimento de capital de 20%, pagarias mensalmente 751 euros em vez de 805 euros. Todavia daqui a 30 anos terias de pagar uma prestação final de 30.000 euros, correndo o risco de não conseguires fazê-lo.

Obviamente que, chegado esse momento, poderias contrair novo crédito para liquidar essa prestação. Mas conseguirás fazê-lo? Mesmo em caso afirmativo pagarás mais juros.

Pondera, pois, bem antes de avançar com um pedido de diferimento de capital. Talvez não compense o risco.

Se tiveres alguma expressão e/ou sigla que pretendas ver descomplicada envia-nos um email para o seguinte endereço: gas@deco.pt.