
A maioria das famílias possui crédito habitação de taxa variável no nosso país. E, por isso, têm de estar atentas ao momento em que a prestação da casa é atualizada com a nova taxa Euribor. Segundo os dados do Banco de Portugal (BdP), 54% dos mutuários com contratos de crédito habitação indexados à Euribor a 3,6 e 12 meses vão ver a sua prestação da casa atualizada até fevereiro de 2023. Os empréstimos habitação mais recentes são os que vão sentir um maior agravamento da prestação da casa.
“Do total de contratos de crédito para habitação própria permanente em vigor no final de novembro, com taxa variável e indexados às Euribor a 3, 6 e 12 meses, 54% terão a sua taxa revista até fevereiro de 2023”, destaca o regulador liderado por Mário Centeno no boletim publicado esta quarta-feira, dia 4 de janeiro.
E há ainda quem tenha de preparar os seus orçamentos familiares para as primeiras subidas das prestações da casa até ao final de 2023. Para 31% dos contratos, a revisão da prestação da casa ocorrerá entre março e maio de 2023. E os restantes 15%, indexados à Euribor a 12 meses, apenas serão atualizados entre junho e novembro de 2023, destaca o BdP.
Isto significa que as famílias com créditos habitação verão as prestações da casa subir ao longo de 2023, assim que forem atualizadas de acordo com a taxa Euribor contratada, a 3, 6 ou 12 meses. De sublinhar que quem contratou um empréstimo habitação recentemente vai sentir mais os efeitos desta subida dos juros nas prestações. Recorde-se que segundo o sistema de amortização francês os juros pesam mais na prestação no início do contrato, peso esse que vai diminuindo ao longo dos anos. Ou seja, quem já está a pagar o crédito habitação há vários anos, os juros pesam muito menos na prestação da casa.
Euribor a 6 meses ganha expressão nos novos créditos habitação
Os créditos habitação de taxa variável representam cerca de 93% do total de empréstimos em Portugal. E, apesar de as taxas de juro nestes contratos estarem a subir à boleia da Euribor, as famílias continuam a apostar na taxa variável, representando 80% do montante dos novos empréstimos para aquisição de habitação própria e permanente registados em novembro, mostram os dados do BdP.
Mas quais são as taxas Euribor mais escolhidas? Assim se desagregam os indexantes no stock de empréstimos com taxa variável destinados à aquisição de habitação própria permanente até novembro, segundo o regulador:
- Euribor a 12 meses: representa 43% destes créditos habitação a taxa variável. Continua a ser a taxa com maior peso, muito embora seja também aquela que mais subiu ao longo de 2022, tendo atingido os 3,005% no final de dezembro (2,828% em novembro);
- Euribor a 6 meses: é a segunda taxa mais contratada, representando 32% do total de contratos. O indexante revisto semestralmente fixou-se em 2,560% em dezembro, mais 0,239 p.p. do que a taxa 2,321% registada em novembro;
- Euribor a 3 meses: representa 22% do montante do stock de empréstimos com taxa variável. Esta taxa, revista a cada três meses, fixou-se em 2,063% no final de 2022 ( 1,825% em novembro).
Com a subida a pique da Euribor a 12 meses, as famílias passaram a apostar recentemente na Euribor a 6 meses. “Nos novos empréstimos contratados em novembro, a Euribor a 6 meses voltou a ser o indexante mais aplicado (67% do montante, representando um aumento de 7 pontos percentuais em relação a outubro)”, destaca o regulador liderado por Mário Centeno.
Além desta mudança, os dados do BdP também indicam que a taxa mista está a ganhar terreno nos novos créditos habitação face à variável. Em outubro, a taxa mista representava 9% do montante dos novos créditos para a compra de habitação própria e permanente, um valor que subiu para 13% em novembro (+4 pontos percentuais). Entre estes dois momentos, a taxa fixa continuou a pesar 7%.
De recordar que a taxa mista permite fixar os juros num período inicial do contrato (5, 10 ou 15 anos, por exemplo), seguindo-se um período de taxa variável e indexada à Euribor. Esta é uma forma das famílias protegerem os seus rendimentos face à volatilidade do mercado hipotecário que hoje se sente devido às sucessivas subidas dos juros diretores pelo Banco Central Europeu (BCE).
Para poder comentar deves entrar na tua conta