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Guia para entenderes a decisão do BCE de acabar com os estímulos à economia

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Autor: Redação

O Banco Central Europeu (BCE) vai reduzir as compras de dívida pública na Zona Euro para 15 mil milhões de euros por mês a partir de setembro. Depois disso, e no final do ano, os estímulos terminam. E parece que os juros também podem subir já a partir do verão de 2019. Porquê? Explicamos-te tudo.

As decisões foram conhecidas esta quinta-feira (14 de junho), depois da nova reunião de política monetária. O BCE decidiu, assim, vir clarificar a retirada do pacote de estímulos não convencionais para a Zona Euro. E o que é que vai acontecer? Na prática o programa de compras vai manter-se ao atual ritmo de 30 mil milhões de euros até ao final de setembro de 2018. Depois, deverá baixar para um ritmo de 15 mil milhões até ao final de dezembro de 2018, altura em que o programa de estímulos deverá terminar.

Juros podem subir já em 2019

Esta é a primeira novidade, mas há uma segunda, que diz respeito aos juros. Até agora apenas se sabia, segundo Draghi, “que os juros se iriam manter inalterados durante um período alargado e muito para além do horizonte das compras líquidas de ativos”. Mas já há datas à vista: os juros deverão continuar em mínimos históricos até ao verão do próximo ano, altura em que poderão começar a registar subidas.

“O Conselho de Governadores espera que as taxas diretoras do BCE continuem nos seus atuais níveis até, pelo menos, ao verão de 2019 e, em qualquer caso, durante o tempo que for necessário para assegurar que a evolução da inflação permaneça alinhada com as expectativas atuais de um ajustamento sustentado da trajetória”, afirma a autoridade em comunicado.

O que justifica estas decisões?

Há pelo menos sete fatores, segundo o Negócios, que justificam estas decisões. A unanimidade é uma delas. Mário Draghi garantiu que as decisões tomadas na reunião do conselho de governadores foram "unânimes" em todos os sentidos. Depois a ideia de que há margem para recuar, ou seja, se a evolução dos preços não se materializar como projetado, ou se a incerteza se concretizar numa evolução diferente do esperado, o BCE estará disponível para ajustar os instrumentos.

O programa de compra de ativos também não vai desaparecer. O stock de títulos públicos que está nas mãos do BCE vai continuar a ser reinvestido, apesar de ainda não se saber como. Mario Draghi reconheceu que a incerteza é, atualmente, mais elevada, nomeadamente devido ao risco de aumento do protecionismo e do impacto que isso tem na confiança, mas salientou que a economia está ainda assim bem sustentada e robusta.

Outra razão dirá respeito às surpresas positivas que o crescimento pode vir a registar. De acordo com a avaliação do BCE, os riscos para as projeções de crescimento estão equilibrados: apesar do aumento da incerteza, e dos riscos negativos por causa das disputas comerciais, o conselho de governadores identifica também riscos positivos.

A inflação também está a convergir para a projeção. O líder do BCE explicou que o conselho de governadores analisou cuidadosamente as projeções de médio prazo da inflação. Ou seja, confrontou várias fontes de projeção, mas também comparou a sua evolução ao longo do tempo. Verificou, portanto, que as projeções de médio prazo estão a convergir para o objetivo e que o seu intervalo de incerteza é cada vez mais estreito.

Por fim a ideia de que a subida de juros não implicou o contágio. Draghi reconheceu que os juros subiram nos mercados, à boleia da incerteza geopolítica, frisando, no entanto, que não resultaram em qualquer contágio entre os países.