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Irlandês Paschal Donohoe eleito presidente do Eurogrupo: o perfil do sucessor de Mário Centeno

O irlandês derrotou na segunda volta a espanhola Nadia Calviño, que era a candidata apoiada por Portugal.

Twitter de Paschal Donohoe
Twitter de Paschal Donohoe
Autor: Lusa

Paschal Donohoe é o novo presidente do Eurogrupo, tendo vencido, esta quinta-feira (9 de julho de 2020), a eleição para a liderança do fórum de ministros das Finanças da zona euro, anunciou o presidente cessante Mário Centeno. O irlandês derrotou na segunda volta a espanhola Nadia Calviño – a candidata apoiada por Portugal –, depois de o luxemburguês Pierre Gramegna ter abdicado cumprida a primeira volta.

Numa eleição realizada por voto eletrónico e secreto durante uma reunião do Eurogrupo celebrada por videoconferência e dirigida, pela última vez, desde Lisboa, Donohoe, ministro de centro-direita, surpreendeu a favorita Nadia Calviño (socialista), que tinha o apoio declarado dos dois “pesos pesados” da zona euro, Alemanha e França, escreve a Lusa.

Donohoe, que tem 45 anos e é ministro das Finanças da Irlanda desde junho de 2017, tomará oficialmente posse segunda-feira (13 de julho de 2020), para um mandato de dois anos e meio, tornando-se o quarto presidente do fórum de ministros da zona euro, depois do luxemburguês Jean-Claude Juncker, do holandês Jeroen Dijsselbloem e do português Mário Centeno, que no mês passado abdicou de concorrer a um segundo mandato ao abandonar o cargo de ministro das Finanças de Portugal.

Quem é Paschal Donohoe?

O novo presidente do Eurogrupo é conhecido por ter recolocado em ordem as finanças públicas do seu país e de ser pouco entusiasta com a ideia de taxar os “gigantes” digitais norte-americanos.

De centro-direita, Donohoe, do partido Fine Gael (Partido Popular Europeu), foi, tal como Centeno em Portugal, o grande protagonista do primeiro excedente orçamental da Irlanda desde a crise financeira de 2008, que atingiu igualmente com particular dureza o seu país, que sofreu uma longa recessão.

Liderará agora, nos próximos dois anos e meio, o Eurogrupo, em pleno esforço de recuperação da economia europeia, com a particularidade de ser contra uma medida defendida por muitos para aumentar os recursos financeiros da Europa, um imposto digital sobre os “gigantes” da Internet, e isto porque a Irlanda é o “refúgio” europeu de muitos gigantes tecnológicos dos EUA, escreve a agência de notícias. 

Donohoe era, dos três candidatos à presidência do Eurogrupo, o que tinha menos experiência de Bruxelas, já que Nadia Calviño trabalhou 12 anos em postos-chave na Comissão Europeia antes de ser convidada para ministra e Pierre Gramegna leva já sete anos no Eurogrupo. Mas o apoio do PPE, a maior família política europeia, revelou-se decisivo para chegar “ao trono”.

Antes de assumir a pasta das Finanças, Donohoe, classificado como “um gestor prudente”, foi ministro para os Assuntos Europeus, dos Transportes e Turismo, e ainda da Despesa Pública e Reformas.

Dar continuidade ao “grande trabalho” de Centeno

Na sua primeira intervenção como presidente eleito do fórum de ministros das Finanças da zona euro, na conferência de imprensa que se seguiu à sua eleição, Donohoe disse que fará o seu melhor para dar continuidade ao “grande trabalho” de Mário Centeno: “Quero começar por reconhecer o imenso trabalho do meu colega, meu amigo e agora governador, posso dizer, Mário Centeno, que durante o seu mandato como presidente do Eurogrupo lançou as fundações para permitir que o nosso euro, nossa moeda comum, fosse mais forte e mais resiliente em tempos de grandes desafios”.

Afirmando que “foi um grande privilégio ter a oportunidade de trabalhar muito de perto” com Mário Centeno, “tanto como colega, enquanto ministro das Finanças de Portugal, e depois como presidente do Eurogrupo”, Donohoe disse ter tido a oportunidade de testemunhar, “em primeira mão, as suas qualidades e capacidades, paciência e dedicação em levar os debates em frente”.

“E eu farei o meu melhor para prosseguir essas qualidades durante o meu mandato como presidente do Eurogrupo”, referiu, assegurando que vai “trabalhar de perto com todos os membros do Eurogrupo para ver como é que o euro pode ser uma fundação na resposta aos grandes desafios” que estão pela frente, assumindo que estes são “profundos.”

Por muito grandes que esses desafios sejam, estou absolutamente convencido de que teremos a capacidade para os ultrapassar. E vou desempenhar a minha parte para garantir que este grupo dá o seu contributo para a recuperação” da economia europeia, fortemente atingida pela crise da Covid-19, adiantou.

Reações à eleição

Mário Centeno, o presidente cessante do Eurogrupo, disse não ter dúvidas de que Paschal Donohoe vai ser um “excelente” líder do fórum de ministros das Finanças da zona euro. “Tínhamos três excelentes candidatos, todos muito competentes, ministros experientes e membros do Eurogrupo altamente considerados. Não tenho de vos apresentar o Paschal, mas deixem-me apenas dizer que foi um verdadeiro prazer trabalhar com o Paschal nos últimos dois anos e meio. Os seus contributos para os trabalhos do Eurogrupo foram muito valiosos”.

Na despedida da Europa, dirigindo pela última vez, desde Lisboa, os trabalhos do Eurogrupo, realizado ainda por videoconferência, Centeno garantiu ainda ter sido “uma honra” trabalhar no fórum, como ministro e como líder, observando que quase todo o seu mandato como presidente decorreu entre crises.

“Podemos dizer que os últimos dois anos e meio foram, na maior parte, um intervalo entre duas crises, a soberana e a pandémica. Usámos este período de forma sábia, moldando um novo papel para o Eurogrupo”, apontou.

Também o comissário europeu da Economia, Paolo Gentilono, elogiou o trabalho e o percurso de Paschal Donohoe, salientando que “tem o que é preciso” para liderar o Eurogrupo “em tempos de desafios sem precedentes”.

Felicitando “calorosamente” Donohoe pela sua eleição, o comissário italiano sublinhou que o irlandês assume funções num contexto particularmente difícil e advertiu que a missão que tem pela frente é complexa, pois “não é só uma questão de gerir a crise, mas também de tornar a zona euro mais forte, mais resiliente e mais sustentável”.

“Mas eu sei, Paschal, que tens o que é preciso para forjar um consenso forte e traçar um caminho ambicioso”, afirmou, acrescentando que pode contar com a Comissão Europeia como “um parceiro fiável” nessa missão.

João Leão, que substituiu Mário Centeno no cargo de ministro de Estado e das Finanças de Portugal, desejou votos de “maior sucesso” a Paschal Donohoe e considerou que o presidente cessante, precisamente Mário Centeno, “prestigiou o país”.

Na sua estreia no Eurogrupo, João Leão referiu ter ouvido de “todos” os colegas das Finanças “o apreço e reconhecimento” pela liderança de Mário Centeno e “pelos marcos alcançados ao longo dos dois últimos dois anos e meio”.